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Jun 09 2008

Infraero promove tarde de autógrafo de livro sobre Manabu Mabe

A Infraero (Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária) promove nesta segunda, 9, às 14h30, no saguão do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, a tarde de autógrafo do lançamento da Agenda Histórica Manabu Mabe 1908/2008, Cem Anos da Imigração Japonesa no Brasil.

O livro, com textos do jornalista e poeta Fernando Coelho, fotos do pintor Yugo Mabe, filho de Manabu, ressalta a importância histórica do relacionamento Brasil-Japão no ano do centenário da imigração e mostra a força do artista plástico de origem japonesa, um dos maiores do País.

Fonte: Infraero-SK

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Mar 05 2008

Banco Nossa Caixa patrocina série de documentários sobre a história da imigração japonesa no Brasil


Filmes mostram a trajetória dos imigrantes no país - da chegada, a bordo do navio Kassato Maru, no porto de Santos, às dificuldades iniciais e à integração com a cultura brasileira
O Banco Nossa Caixa patrocina a série de documentários “Histórias da Imigração Japonesa”, dirigida por Chico Guariba e produzida pela ONG Ecofalante – entidade sem fins lucrativos que tem por objetivo trabalhar temas voltados à educação, cultura e meio ambiente. O projeto é composto por cinco filmes produzidos para TV e DVD com duração de 24 minutos cada. O lançamento do primeiro deles está previsto para julho. Os demais serão lançados nos meses subseqüentes. Os documentários fazem parte das comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil e marcam o apoio do Banco Nossa Caixa à celebração da data histórica.
A Nossa Caixa investiu R$ 200 mil na iniciativa com respaldo da Lei Rouanet. “Por meio de projetos como esses, o Banco Nossa Caixa homenageia a colônia japonesa, cuja importância é indiscutível no desenvolvimento econômico, social e cultural do estado de São Paulo”, afirma o presidente do banco, Milton Luiz de Melo Santos.
Os filmes apresentam depoimentos de imigrantes e seus descendentes. Os relatos são acompanhados de fotos, vídeos e documentos. Os temas abordados são:
  • “Ser imigrante”
  • “Os imigrantes no campo”
  • “Os imigrantes nas cidades”
  • “As trocas culturais entre Brasil e Japão”
  • “Caminhos futuros”

As dificuldades iniciais em trabalhar em um país com idioma e clima muito diferentes do Japão e outras características culturais muito distintas – a arquitetura, os casamentos, a educação dos filhos, a culinária, as atividades artísticas e esportivas e as inúmeras contribuições à cultura brasileira - são alguns dos aspectos abordados nos filmes.
A produção dos documentários conta com apoio da Bunkyo - Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social - e da Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa.

Participação do público
O público poderá contribuir com a série de documentários patrocinada pelo Banco Nossa Caixa com depoimentos, fotos, vídeos ou documentos relacionados à história da imigração japonesa no Brasil. Para tanto, os interessados deverão preencher até o final de março um formulário, disponível no site www.nossacaixa.com.br. As contribuições serão encaminhadas para análise do documentarista Chico Guariba, da Ecofalante, e as selecionadas serão informadas aos destinatários por telefonema. Aqueles que participarem da produção terão seus nomes creditados nos documentários.

Japoneses no Vale do Ribeira e Sudoeste paulista
A série “Histórias da Imigração Japonesa” foi idealizada a partir do documentário “Os japoneses no Vale do Ribeira e Sudoeste Paulista”, dirigido e produzido no início de 2007 por Chico Guariba e patrocinado pelo Banco Nossa Caixa. O trabalho foi distribuído em julho de 2007 às diretorias de ensino do estado de São Paulo para exibição em escolas públicas estaduais.
O documentário conta a história de um grupo de imigrantes japoneses que, após desembarcar no porto de Santos em 1808, usou trens e pequenas embarcações fluviais para chegar à região do Vale do Ribeira – área isolada e marcada pela intensa presença de mata virgem. No Vale do Ribeira, os imigrantes iniciaram o cultivo do arroz, da banana e do chá.
Muitos imigrantes pretendiam enriquecer no Brasil e, depois, voltar ao país de origem, exatamente como os atuais “dekasseguis”, seus descendentes, que hoje fazem o caminho inverso. Com a Segunda Guerra Mundial (1947), os imigrantes abandonaram a idéia de voltar ao Japão e adotaram o Brasil como pátria.

Outras homenagens
Além de patrocinar a série de documentários, o Banco Nossa Caixa apóia também outras iniciativas em homenagem à colônia japonesa. Entre 10 de dezembro e 11 de janeiro, o banco promoveu a exposição “Japão – um perto distante”, no Espaço Nossa Caixa Arte e Cultura. A mostra foi uma das primeiras atividades promovidas na cidade de São Paulo em comemoração ao centenário da imigração japonesa. Foram expostas 17 obras de 13 jovens artistas que abordaram o Japão a partir de um olhar ocidental registrado em fotografias, xilogravuras, impressões digitais, lápis de cor, grafite, estêncil e cerâmicas. Os trabalhos expressam elementos da cultura japonesa pop, contemporânea e tradicional.
Outro projeto apoiado pelo banco, por meio da Lei Rouanet, é a criação do Museu de Arte Moderna Nipo-Brasileira Manabu Mabe, que ocupará o espaço do antigo Colégio Campos Sales, localizado na Liberdade. A inauguração deve ocorrer ainda este ano. O espaço está sendo restaurado para abrigar um acervo considerado por especialistas como um dos mais representativos da arte moderna nipo-brasileira, com obras de artistas como Handa, Tamaki, Tanaka, Susuki, Higaki, Fukushima, Ohtake, Shiró e Manabu Mabe, pintor japonês naturalizado brasileiro, reconhecido mundialmente por seus quadros abstracionistas de cores vivas e grandes dimensões.

Maiores informações:

  • Assessoria de Imprensa Banco Nossa Caixa
  • Rua XV de Novembro, 111 – 5º andar.
  • São Paulo – SP / CEP – 01013-001
  • Telefones: 11 3244 6246 / 6248 / 6381 - Fax: 11 3244 6624
  • E-mail: imprensa@nossacaixa.com.br
  • Website:www.nossacaixa.com.br

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Feb 26 2008

Por que meus avós migraram

A propósito da estréia de Haru e Natsu na Band, relembrei os motivos que fizeram meus avós migrarem para o Brasil.
Batian veio para cá contra a vontade de sua mãe (já viúva) numa imposição do irmão mais velho, porque a companhia de imigração que os trouxe exigia que fosse uma família composta de “um casal mais um adulto”. Consta que era a única filha mulher e que a mãe sentiu imensamente sua falta. A melhor amiga era esta prima com quem trocou cartas a vida toda e cujo filho ainda se corresponde conosco e atenciosamente recebeu a todos quiseram conhecer a propriedade onde Batian nasceu em Niigata - e que ele herdou.
O Ditian veio a convite do “sensei” (professor), que queria vir com a esposa e precisava deste “adulto” a mais. Aqui o sensei se entregou à bebida (dizem que por desgosto) e Ditian se viu sozinho e sem condições de retornar. Meu tio Massao contava que meu Hiditian (bisavô) era contra a viagem, mas não conseguiu dissuadir o filho e na viagem de trem até Kobe, porto do qual partiria com o sensei, deu-lhe um relógio caro de ouro, que meu Ditian poderia vender para retornar quando quisesse. A viagem era um sonho do menino de 14 anos, o desejo de fazer fortuna e ajudar o pai que perdera seus negócios de importação de madeira da Coréia (Fukuoka fica perto da Coréia) e era um viúvo solitário. Sem conseguir fazer a fortuna prometida e tendo seu relógio de ouro roubado pelo sensei, Ditian decidiu ficar em definitivo no Brasil e cortou
contato com os familiares no Japão.
E a história de sua familia, qual é?

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Feb 22 2008

Reportagem portuguesa sobre a imigração japonesa em São Paulo

É interessante notar como somos vistos no exterior. Esta matéria portuguesa sobre a imigração me pareceu muito interessante:
Brasil: Imigração transformou São Paulo na mais japonesa das cidades fora do Japão - RTP Notícias

Brasil: Imigração transformou São Paulo na mais japonesa das cidades fora do Japão

São Paulo, Brasil, 22 Fev (Lusa) - A imigração japonesa para o Brasil, cujo centenário é assinalado este ano com uma extensa programação comemorativa, transformou São Paulo na mais japonesa das cidades fora do Japão.

Estimativas mostram que há cerca de um milhão de japoneses e seus descendentes na cidade, o que faz com que pelo menos um entre cada dez moradores de São Paulo tenha traços orientais.

A presença japonesa estende-se desde a gastronomia, com dezenas de restaurantes especializados, regiões da cidade especialmente decoradas com símbolos orientais até os media, com jornais publicados em japonês.

Descendente de japoneses, a realizadora brasileira Tizuka Yamasaki salienta que a presença japonesa é tão marcante que chega a fazer parte da paisagem humana da maior cidade brasileira.

“Tem uma comunidade bastante forte, você vê japoneses na rua, faz parte do quotidiano do paulistano”, disse Yamasaki, autora de “Gaijin - Os Caminhos da Liberdade” (1980), filme inspirado na imigração de sua própria família.

A região com mais forte influência japonesa é o bairro da Liberdade, na zona central da cidade, com a maior concentração de oferta de iguarias e produtos japoneses.

No início, os primeiros imigrantes escolheram a Liberdade porque quase todas as casas da região tinham caves, e o aluguer de quartos no subsolo era barato.

Actualmente, as ruas da Liberdade, com uma decoração tipicamente oriental, são referência para os descendentes, local de encontro, de manifestações e de feiras livres, com iguarias japonesas.

Na região, é possível adquirir jornais em japonês, como o tradicional São Paulo Shimbum, criado em Outubro de 1946 por imigrantes japoneses.

O início da imigração japonesa ao Brasil decorreu no dia 28 de Abril de 1908, quando o navio Kasado-Maru deixou o porto de Kobe em direcção à cidade de Santos, no litoral do Estado de São Paulo, com 791 japoneses.

Os primeiros imigrantes foram contratados como mão de obra barata para trabalhar nas plantações de café do interior do Estado de São Paulo, depois do fim da escravidão de negros, no final do século XIX.

Após seis meses nas lavouras de café, mais da metade dos imigrantes deixou as propriedades rurais e mudou-se para a capital São Paulo e para outros estados brasileiros, como Paraná e Mato Grosso.

A imigração continuou até ao início da II Guerra Mundial (1939-1945), período em que os japoneses foram vistos com desconfiança no Brasil.

Na época, o Brasil rompeu relações diplomáticas, declarou guerra aos países do eixo (Alemanha, Itália e Japão), e enviou tropas para integrar as forças aliadas na Europa.

Nessa época, os imigrantes sofreram uma série de restrições, com o fecho de escolas, a proibição de jornais em japonês, situação que foi normalizada com a rendição do Japão, em 1945.

Com a derrota na II Guerra, o fluxo migratório foi retomado, dessa vez com a chegada de japoneses para trabalhar nas indústrias.

Na década de 80, com a crise económica brasileira, muitos descendentes de japoneses fizeram o caminho inverso, em busca de melhores oportunidades de vida.

São os chamados dekasseguis, num total de cerca de 300.000, espalhados por várias cidades japonesas e responsáveis actualmente pelo envio de cerca de 600 milhões de dólares por ano.

As celebrações do centenário da imigração incluem mais de 400 eventos, nos dois países, como exposições, festivais de cinema, concertos e seminários, no “Ano do Intercâmbio Brasil-Japão”.

O ponto alto das celebrações será a visita do príncipe Naruhito, herdeiro do trono do Japão, no dia 21 de Junho, ao Brasil.

Em São Paulo, a artista plástica Tomie Ohtake, um dos mais importantes nomes da cultura japonesa, no Brasil, criou uma escultura em aço de nove metros de diâmetro, em formato de ondas vermelhas, para assinalar o centenário.

A obra será instalada nos jardins do aeroporto internacional de São Paulo, que passou a ser no lugar do Porto de Santos, no século passado, o local de entrada dos novos visitantes e imigrantes japoneses.

Na área desportiva, um dos principais destaques dentre os descendentes japoneses é o jogador de ping-pong Hugo Hoyama, recordista brasileiro de medalhas em Jogos Pan-Americanos, com 14 medalhas.

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Feb 21 2008

Grupo de Teatro de Bonecos Yukiza no Sesc

Li no blog Identidade Própria sobre esta homenagem de Teatro no Sesc e posto abaixo o texto da produtora Francys Oliva.

JAPÃO-BRASIL 100 ANOS Teatro de Bonecos - Yukiza
SESC Consolação - Dia(s) 27/02, 28/02
Quarta, às 17 e 21h. Quinta, às 21h.

O teatro de bonecos de Edo, grupo Yukiza, foi fundado por Yuki Magosaburo, durante a era Edo, em 1635 e sua história vem se estendendo por mais de 370 anos. Yukiza é o único grupo de teatro de marionetes de tradição no Japão designado Patrimônio Cultural Intangível do Governo Metropolitano de Tóquio e reconhecido como Patrimônio Folclórico Cultural. Espetáculos: Shinpan Utazaimon Nozakimura no Dan (A vila Nozaki) (60min) e Tsuna-Yakata (casa de Tsuna) (30 min).

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Feb 18 2008

História da Imigração Japonesa em mangá

Um recado no meu perfil do site Abril no Centenário da Imigração me levou ao site Imigração Japonesa. Muito interessante, com informações de interesse da comunidade. Uma delas me chamou atenção de imediato:
Lançamento de livro com história da Imgiração Japonesa em mangá. Infelizmente o site não está bem atualizado, a nota que divulgo abaixo diz que o lançamento seria em novembro de 2007 e na página inicial do site está 19/03/2008. Farei contato para me certificar e depois faço update aqui.

O movimento imigratório de japoneses para o Brasil começou em 1908, com a chegada ao Porto de Santos do navio Kasato Maru. De Santos até a hospedaria dos imigrantes, no Brás, o transporte dos imigrantes foi feito de trem. Depois de alguns dias, os imigrantes, divididos em grupos, foram levados para as fazendas de café.
Com a comida totalmente diferente, sem entender o idioma, e principalmente, sem ganhar o que esperavam, os imigrantes passaram por muitas dificuldades. Alguns fugiram das fazendas sem condições de cumprirem os contratos e se dirigiram para as grandes cidades. Depois chegou a Segunda Guerra Mundial, e a situação ficou ainda mais difícil pelas leis restritivas adotadas pelo Brasil.
Para contar essa história de luta e perseverança, que também é uma parte da história do Brasil, está em edição o livro “Banzai – A História da Imigração Japonesa em Manga”.
A publicação, que é uma iniciativa da Associação Cultural e Esportiva Saúde, faz parte das atividades comemorativas do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, e conta com o apoio da Fundação Kunito Miyasaka. Coordenado e preparado pelo jornalista Francisco Noriyuki Sato, também autor de História do Japão em Mangá, o trabalho foi revisado por uma equipe liderada pelo professor da USP, dr. Masato Ninomiya.
O veterano desenhista Julio Shimamoto cuidou dos desenhos. O interessante é
que todos os envolvidos têm forte ligação com a história que foi escrita e viveram parte de suas vidas na comunidade japonesa de alguma região do País. “Essas experiências pessoais enriqueceram muito a história, principalmente nos
detalhes”, conta Sato. O livro, que contou ainda com o auxílio de outro veterano, Paulo Fukue, e do carioca Adauto Silva, deverá ser lançado em novembro
deste ano.

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Feb 15 2008

Escolas Municipais irão abordar história da imigração japonesa

Mais uma vez Indaiatuba valorizando a cultura dos imigrantes japoneses:

Escolas Municipais irão abordar história da imigração japonesa

Alunos das escolas municipais de Indaiatuba pegam este ano, uma “carona” no Kasato Maru, navio que desembarcou em Santos, em 1808, trazendo para o Brasil os primeiros imigrantes japoneses. As Unidades Escolares se preparam para abordar o assunto, que transformou a vida de milhares de japneses, mas que também mudou para sempre hábitos culturais brasileiros, como a culinária, os esportes e até a religião.
Para dar início a este processo de aprendizagem, a secretária de Educação, Jane Shirley Escodro Ferretti recebeu em seu gabinete na última semana o escritor Neir Ilelis, autor do livro “Arroz e Café – O Menino Japonês”. Neir visitou a sede da secretaria de Educação acompanhado do presidente da Associação Cultural, Esportiva Nipo-Brasileira de Indaiatuba, Edson Yoshitsugui Miyamoto e do diretor de Projetos Institucionais da Ilelis Editora, Lafayette Guedez.
O livro, escrito em português e japonês, e ilustrado em forma de mangá por Açunciara Aizawa Silva, conta a história de Shigueo, um menino do Japão que, aos 12 anos, atravessa o oceano com a família, rumo a um país totalmente desconhecido: o Brasil.
A obra, garante Neir, não foi escrita pensando nas comemorações do Centenário da Imigração Japonesa, mas acabou ganhando o selo “1908-2008: 100 Anos da Imigração Japão Brasil”. “O livro é uma ficção e foi baseado nos relatos que um amigo me fez sobre a vinda do Kasato Maru para o Brasil. Quando terminei, no entanto, descobri que esta também é a história de muitos imigrantes japoneses e assim percebi a amplitude do relato”, conta o autor.
No livro, a vida de Shigueo é relatada em três partes. A primeira conta a história do garoto e sua família, trabalhando na colheita de arroz, no Japão. A segunda parte do livro fala da vinda da família para o Brasil; a travessia do oceano rumo a um país totalmente desconhecido, e as expectativas de um menino repleto de sonhos. A terceira e última parte fala da chegada de Shigueo ao Brasil; do que a família encontrou por aqui, da adaptação a um país tão culturalmente diferente do Japão e da colheita do café.
“O livro será utilizado em sala de aula como parte dos estudos sobre a imigração japonesa, o que poderá ser explorado nas aulas de Língua Portuguesa ou mesmo através de alguns dos nossos projetos, como o Ler Faz Bem. Porém, pretendemos abordar o centenário em seus diversos aspectos e em várias disciplinas”, lembra Jane.
Haicai
Cada capítulo de “Arroz e Café – O Menino Japonês” é aberto por um Haicai, pequeno poema japonês, escrito em três versos, dois com cinco sílabas e um (o do meio) com 7 sílabas, totalizando 17 sílabas. No Haicai clássico, os versos simbolizam ações da natureza e são uma sequência de fatos.
No primeiro, o haicaista dá a cena geral; no segundo algo acontece (a onda quebra, a flor desabrocha, a mulher sorri); e o terceiro verso mostra o sabor desta experiência para o autor. No Japão, há haicais que datam do século 15, mas a poesia se espalhou por todo o mundo. Os inciciantes podem construí-lo sem tanto rigor silábico e certamente, o assunto será um dos aspectos abordados pelos alunos da rede municipal de ensino.
E assunto é o que não vai faltar em sala de aula. Além do que relata os próprias páginas dos livros de História, a aproximação Brasil-Japão rendeu muitos frutos. Até de forma literal. No Kasato Maru, por exemplo, os japoneses trouxeram 50 tipos diferentes de alimentos; entre eles a maçã Fuji, a uva-itália e a poncã. Depois, eles incrementaram a produção do que já existia aqui e assim cultivaram como ninguém produtos como alface, tomate, chá preto e, claro, frangos e ovos.
As tradições, incluíram ainda a religião — o budismo – e hábitos, como a meditação e os esportes. Mangás e bonecas japonesas também fazem a festa de crianças e adolescentes brasileiros e tudo parece não parar no tempo, já que até
hoje brasileiros e japoneses adotam os hábitos um do outro.
Um exemplo é a proliferação dos restaurantes japoneses, frequentados por muitos brasileirinhos, com seus sushis e sashimis. Tudo sem contar o impressionante avanço tecnológico do povo japonês, que inventou o metrô e mais uma centena de produtos que tornaram o mundo bem mais rápido.
Enfim, há assunto para o ano inteiro, reforçado por um dado específico: a forte presença da colônia japonesa em Indaiatuba. “Comemorar o Centenário da Imigração Japonesa será um prazer e uma honra para toda a nossa equipe. Já os alunos recebem isso como um aprendizado para toda a vida, já que vivenciam muitos dos aspectos culturais dos japoneses no dia a dia. Mas nada como saber como esta cultura chegou até os nossos dias, por quais mãos e como sobreviveu através dos tempos”, lembra Edson, presidente da Nipo.

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Feb 13 2008

Tikara e Keika, Hiro e Neusinha


Pouca gente sabe, mas um dos primeiros personagens do Maurício de Souza foi o nissei Hiro, amigo do Zé da Roça. No site da turminha, Maurício conta que “Como personagem de história em quadrinhos, surgiu até mesmo antes do Chico. Em tiras diárias no jornal “Diário de São Paulo”, no início da década de 60. Seu companheiro de tira de jornal, antes de surgir o Chico, foi o nissei (filho de japonês) Hiroshi, que teve o nome simplificado para Hiro. A tira se chamava “Hiroshi e Zezinho”. E foi ali que apareceu o Chico. Os mesmos “Hiroshi e Zezinho”(que é o Zé da Roça) também foram publicados em páginas mensais pela revista “Coopercotia”, na década de 60.
Depois veio o amigo preguiçoso Chico Bento, que acabou tomando conta da turma da roça. Na época o japonês brasileiro era inevitavelmente associado à agricultura ou, se na cidade, à quitanda ou lavanderia. Pois Maurício agora presta uma nova homenagem aos japoneses brasileiros com os personagens Tikara e Keika. Os nomes são estranhos porque não são nomes próprios.
Em uma cerimônia em Brasília, em janeiro,
na abertura oficial do Ano do Intercâmbio Brasil - Japão, Mauricio apresentara o mascote Tikara ao público, definindo-o como o personagem que representará os 100 Anos da Imigração Japonesa no Brasil. Tikara foi criado especialmente para o aniversário da imigração japonesa e, para criá-lo, Mauricio disse que contou com a ajuda de sua mulher, Alice Takeda, descendente de japoneses.
E hoje divulgaram a imagem e o nome da versão feminina do mascote, Keika. Maurício foi incumbido de criar personagens que representassem a cultura milenar do Japão e que, ao mesmo tempo, mostrassem a modernidade do país oriental. Os personagens criados por ele também não ganharam seus nomes por acaso: na língua japonesa, Tikara representa “força e coragem” e Keika significa “bravura, pureza e honestidade”.
Ambos estarão nos cartazes e materiais de divulgação do centenário, organizados pela ACCIJB (Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil) de São Paulo. As comemorações começam oficialmente em 18 de junho, dia em que o navio Kasato Maru chegou ao porto de Santos com os primeiros imigrantes, em 1908.
Além da divulgação, os personagens Tikara e Keika têm ainda mais planos para junho: deverão aparecer nas histórias em quadrinhos da Turma da Mônica.

P.S. Para não ser injusta: havia outra japonesinha nos quadrinhos da minha infância. Era Neusinha, namorada do Pelézinho. Lembram dela? Alexandre Sakai contou a história deles aqui.

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Feb 13 2008

Minhas imagens do Japão e Balanço são lançamentos de livros infantis

A Cosac Naify tem também dois lançamentos infantis que retratam a cultura japonesa:


Minhas imagens do Japão

No ano das comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil, Minhas imagens do Japão é um guia ilustrado do dia-a-dia de uma criança que vive do outro lado do mundo. Quem nos leva por esta viagem é Yumi, uma simpática garotinha de sete anos que mora nos arredores de Tóquio. Em sua casa, a anfitriã nos mostra seu quarto, a cozinha e as delícias que a mãe prepara, o banheiro e sua forma diferente de tomar banho. Depois conhecemos a rotina na escola, onde os alunos ajudam a colocar a mesa para o almoço, limpam a classe, o pátio e os corredores. E, na cidade, há ainda os banhos públicos, os centros comerciais e as grandes lojas. Por fim, Yumi revela tudo sobre datas comemorativas, como a festa dos meninos, a festa das crianças, o tanabata e o undokai. As ilustrações, em cores vivas, lembram um álbum, com detalhes dos pratos, vestimentas, acessórios e materiais escolares. Duas páginas são reservadas às diferentes formas de escrita e trazem alguns exemplos de kanji (ideogramas que representam palavras), além de um quadro com o alfabeto em hiragana (ideogramas que representam sílabas). Yumi ensina ainda a fazer em origami um chapéu de samurai, um vestido de boneca, guirlandas e um lampião. Boa maneira de familiarizar as crianças com a diversidade, um livro leve, que diverte, instrui e instiga a viajar pelo mundo, sem sair de casa.

Serviço:

  • Minhas imagens do Japão
  • Etsuko Watanabe (texto e ilustrações)
  • Tradução: Cássia Silveira
  • Quarta-capa: Jo Takahashi
  • Capa dura
  • 40 páginas; Ilustrado ilustrações;
  • 21,5 x 22,5 cm; 0,2 kg;
  • ISBN 978-85-7503-683-9
  • Publicação: 2008

E o livro bilíngue, que tem patrocínio do Instituto Tomie Otake.


Balanço

Brincando em um balanço no parque, um garoto observa o anoitecer e declama uma leve poesia sobre a noite que se aproxima. “Como um pêndulo azul azul”, acompanhamos o assobio da brisa, o mergulho nas nuvens, as estrelas solitárias, o perfume do vento, as pegadas deixadas no céu. A edição bilíngüe (português e japonês) vem com um projeto gráfico diferenciado: tecido na capa, clichê no miolo, papel especial. O poema sobre a contemplação do tempo, na mais delicada linguagem oriental, tem leitura vertical. A disposição e a perspectiva aérea das ilustrações contribuem para a sensação de o leitor mover-se junto com o garoto sobre o balanço. Uma viagem pelo infinito, pra lá e pra cá…

Serviço:

  • Balanço
  • Keiko Maeo
  • Tradução: Diogo Kaupatez
  • Edição bilíngue português/japonês
  • Capa dura em tecido
  • 40 páginas; 20 ilustrações;
  • 16,5 x 25,5 cm; 0,32 kg;
  • ISBN 978-85-7503-660-0
  • Publicação: nov. 2007

No site da Editora há uma entrevista com a autora Keiko Maeo, concedida à Giovana Pastore e Lívia Deorsola, com tradução de Dirce Miyamura.

“Balançar-se sempre foi, para Keiko Maeo, brincadeira infantil preferida, guardada em sua memória afetiva. Tanto que deu origem a Balanço, livro publicado no Japão em 2001 que recria de maneira sensorial o movimento pendular, numa alusão à passagem do tempo.
A experiência proposta pelo livro - o primeiro da escritora e artista plástica japonesa a ser publicado no Brasil, em edição bilíngüe português-japonês -, foi possível a partir do projeto gráfico altamente elaborado, cuja perspectiva das ilustrações leva o leitor a mover-se junto com o personagem.
Keiko revela, na entrevista a seguir, detalhes do processo de criação do texto poético e das técnicas de ilustração, e comenta a relação que estabelece com a efemeridade do tempo e toda sua expressão em azul. “Penso na criação dos livros envolvendo um ritmo repetitivo”, diz a autora.

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Feb 13 2008

O anticinema de Yasujiro Ozu


Estou fazendo um levantamento de obras publicadas em português que retratem o Japão ou a imigração japonesa. É minha contribuição para o Centenário da Imigração.
Encontrei este livro sobre o cineasta Yasujiro Ozu no site da editora Cosac Naify, umas das minhas favoritas, pela qualidade indiscutível de todos os títulos. Posto abaixo a resenha do site da editora, pois não li o livro para poder dar uma opinião pessoal.

Edição comemorativa do centenário de um dos maiores cineastas japoneses traduzida diretamente do japonês. Este ensaio, de autoria do também diretor de cinema Kiju Yoshida (Eros + Massacre, 1969), penetra o universo fascinante de Ozu, considerado ao mesmo tempo o mais japonês dos diretores e o de linguagem mais universal. Pela primeira vez sua obra é analisada por alguém que trabalhou atrás dos megafones de direção. O diretor Yoshida emprega conceitos caros ao mestre de Bom dia (1959), emprestados da filosofia zen-budista.
Primeira edição do livro fora do Japão, traduzida diretamente do japonês pelo Centro de Estudos Japoneses da Universidade de São Paulo, inclui as filmografias de Ozu e Yoshida.
A versão francesa do livro, surgida em 2004 (co-edição Institut Lumiere/Actes Sud/Arté Edition) recebeu o Prêmio Anual da Crítica, oferecido pelo prestigioso Sindicato Francês de Críticos de Cinema.
Co-edição: Mostra Internacional de Cinema em São Paulo”

Serviço:

  • O anticinema de Yasujiro Ozu
  • Kiju Yoshida
  • Tradução: Centro de Estudos Japoneses da Universidade de São Paulo
  • Brochura
  • 312 páginas; 12 ilustrações;
  • 13,5 x 20 cm; 0,37 kg;
  • ISBN 85-7503-266-6
  • Publicação: nov. 2003

Biografia de Ozu no wikipedia:

Yasujiro Ozu (Ozu Yasujir?) (Tóquio, 12 de Dezembro de 1903 - Kamakma, 12 de Dezembro de 1963) foi um influente realizador de cinema Japonês.

Nasceu em Fukagawa, em Tóquio, filho de um comerciante de adubo, e foi educado num colégio interno em Matsusaka, não tendo sido um aluno particularmente bem sucedido. Desde cedo se interessa pelo cinema e aproveita o tempo para ver o máximo de filmes que podia. Trabalhou por um breve período como professor, antes de voltar para Tóquio em 1923, onde se juntou à Companhia cinematográfica Shochiku. Trabalhou, inicialmente, como assistente de fotografia e de realização. Três anos depois, dirigiu o seu primeiro filme, Zange no yaiba (A espada da penitência), um filme histórico, em 1927. Os cinéfilos em geral indicam como primeiro filme importante Rakudai wa shita keredo (Reprovei, mas… - tradução do título em inglês), de 1930. Realizou mais 53 filmes - 26 dos quais nos seus primeiros cinco anos como realizador e todos, menos 3, para os estúdios Shochiku.

Em Julho de 1937, numa altura em que os estúdios demonstravam algum descontentamento com o insucesso comercial dos filmes de Ozu, apesar dos louvores e prémios com que a crítica o celebrava, é recrutado com 34 anos e servirá como cabo de infantaria, na China, durante dois anos. A sua experiência militar leva-o a escrever um extenso diário onde se inspirará mais tarde para escrever guiões cinematográficos. O primeiro filme realizado por Ozu ao regressar, Toda-ke no Kyodai (Os irmãos da família “Toda” - tradução do título em inglês, 1941), foi um sucesso de bilheteira e de crítica. Em 1943 foi, de novo, alistado no exército para realizar um filme de propaganda em Burma. Em vez disso, porém, foi enviado para Singapura onde passou grande parte do seu tempo a ver filmes norte-americanos confiscados pelo exército. De acordo com Donald Richie, o filme preferido de Ozu era a obra-prima de Orson Welles‘, Citizen Kane.

Ozu começou por realizar comédias, originais no seu estilo, antes de se dedicar a obras com maiores preocupações sociais na década de 1930, principalmente ao focar dramas familiares (gênero próprio do cinema japonês, chamado “Gendai-Geki”). Outros temas caros ao mestre japonês são a velhice, o conflito entre gerações, a nostalgia, a solidão e inevitabilidade da decadência, como se verifica, de imediato, nos títulos dos seus filmes que evocam o passar do tempo: é frequente que os seus filmes terminem num local ou numa situação directamente ligada com o início, acentuando o carácter temporal “circular” (como as estações do ano ou a alternância das marés) destas obras.

Trabalhou frequentemente com o argumentista (guionista) Kogo Noda; entre outros colaboradores regulares contam-se o director de fotografia Yuharu Atsuta e os actores Chishu Ryu e Setsuko Hara. Os seus filmes começaram a ter uma recepção mais favorável a partir do final da década de 1940, com filmes como Banshun (Portugal: Primavera tardia; Brasil: Pai e filha, 1949), Tokyo monogatari (Portugal: Viagem a Tóquio, Brasil: Era uma vez em Tóquio, 1953), considerado a sua obra prima, e Ochazuke no Aji (Portugal: O gosto do saké, 1952), Soshun (Portugal: Primavera prematura, 1956), Ukigusa (Ervas flutuantes, 1959) e Akibiyori (Dia de Outono, 1960). O seu último filme foi Sanma no aji (BrasilA rotina tem seu encanto, 1962). Morreu de cancro no seu 60º aniversário e foi sepultado no templo de Engaku-ji em Kamakura.

Enquanto realizador era considerado excêntrico e declaradamente perfeccionista. É muitas vezes referido como o “mais japonês dos realizadores de cinema”, o que não foi favorável para a sua divulgação no estrangeiro - só tardiamente se começou a mostrar a sua obra no ocidente, a partir da década de 1960. Foi relutante a aceitar a revolução do cinema sonoro - o seu primeiro filme com som foi Hitori musuko (”Filho único”). O seu primeiro filme a cores foi também tardio: Higanbana (Flores do equinócio), em 1958. Destaca-se, no seu estilo, um género de plano, filmado a baixa altura, com o operador de câmara de cócoras, o que provoca um determinado efeito de identificação do espectador com o ponto de vista da câmara. Defendia insistentemente os planos estáticos, sem movimento da câmara e composições meticulosamente definidas que não permitiam aos actores dominarem individualmente a cena. É também sua imagem de marca a frontalidade do plano (falsos raccords): num campo-contracampo, por exemplo, quando vemos alternadamente uma pessoa a falar com outra, é dada a impressão que o actor se dirige ao espectador e não à personagem do filme.

A influência de Ozu no cinema oriental é indubitável: Akira Kurosawa e Kenji Mizoguchi, que despertaram primeiramente a curiosidade cinéfila europeia em relação ao cinema japonês são, de certa forma, tributários do seu estilo. Verifica-se que muitos cineastas ocidentais tomaram Ozu como mestre. Wim Wenders filmou “Tokyo-Ga”, um documentário sobre Ozu. Jim Jarmusch e Hal Hartley seguem de perto os seus ensinamentos, nos Estados Unidos da América. Em Portugal, João Botelho inspirou-se no seu filme “Viagem a Tóquio” para realizar “Um adeus português“.

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