Dec 27 2007
Empreiteiras estão otimistas quanto ao mercado de trabalho

Para Takashi Nomoto, da empreiteira INC, de Gunma, as perspectivas no mercado de trabalho são boas em todos os setores
As opiniões sobre as previsões do mercado de trabalho para o próximo ano são otimistas. A maioria acredita que as perspectivas serão positivas. Apenas a InterCareer, de Aichi, traça um panorama não muito animador.
Segundo Takashi Nomoto, da empreiteira INC, de (Gunma), as perspectivas no mercado de trabalho são boas em todos os setores. “A tendência para o ano que vem, e para os próximos quatro anos, é de o mercado estar em alta. Em comparação com este ano, com certeza a expectativa para o ano que vem será bem melhor. Isso é devido ao lançamento dos modelos 2008 de carros de várias montadoras”, avalia.
O representante de uma empreiteira localizada em Yokkaichi (Mie) também vê com otimismo o ano de 2008 para os trabalhadores brasileiros. “A economia japonesa está em ritmo ascendente e com perspectivas muito boas. Pelo menos nos setores de eletrônicos e autopeças, não vai faltar emprego e nem disponibilidade de horas extras na maioria das empresas grandes”, arrisca. “No cenário político, os governos do Brasil e do Japão também tendem a se aproximar mais, por causa do centenário da imigração. E isso pode ter reflexos na vida do dekassegui.”

Para Auro Yoiti Kotsubo, da empreiteira InterCareer, de Nagoya (Aichi), as perspectivas não são tão animadoras
Hora extra
Para Jonas Kato, da empreiteira Hamafuji, de Toyohashi (Aichi), as expectativas são positivas. “O mercado de trabalho está aquecido faz tempo, desde o ano passado (2006). Essa tendência deve continuar, pelo menos nas fábricas com quem mantemos contrato. Quer dizer também que o número de horas extras será bom, mas existe um limite estabelecido pela lei trabalhista que não pode ser ultrapassado.”
Otimista, Kato acredita que o bom desempenho terá vida longa: “os setores de eletrônicos e autopeças estão em alta e devem continuar assim. Por exemplo, tem uma empresa que fabrica caixas eletrônicos de bancos que precisará de funcionários por um bom tempo. É que muitos caixas estão sendo substituídos por máquinas com novos recursos e, inclusive, comandos em português. Ou então serão exportados para a China”, explica Jonas.
Estabilidade
Já Daniel Ko Omura, da empreiteira Kowa, de Isesaki (Gunma), prefere não arriscar. “De imediato ainda não temos uma previsão de como será o mercado, mas deve permanecer estável”, conclui.
“A tendência geral é de alta para as empresas de eletrônicos e autopeças, principalmente na segunda metade do ano. Mas ainda é cedo para tentar fazer previsões, porque tudo vai depender do fechamento do ano fiscal das empresas, a ser concluído em abril”, diz o representante de uma empreiteira localizada em Anjo (Aichi). “Também é arriscado querer prever se 2008 será um ano positivo para algum setor de trabalho porque a produtividade varia de empresa para empresa. Aliás, mesmo dentro de uma determinada fábrica, o ritmo depende do produto ou do tipo de peça a ser produzida.”
Pessimismo
Para Auro Yoiti Kotsubo, da empreiteira InterCareer, de Nagoya (Aichi), as perspectivas não são tão animadoras. “Pelo que tenho percebido, este fim de ano está menos produtivo por vários fatores, entre eles a desvalorização do dólar e a alta do petróleo”, explica. “Se a situação não melhorar entre janeiro e fevereiro, não creio que haverá mudanças após o fechamento do ano fiscal. Neste caso, as empresas que tiverem de conter gastos tenderão a fazer duas coisas: contratar mão-de-obra asiática, que é mais barata, ou demitir os trabalhadores mais velhos, entre os quais os brasileiros.”
Kotsubo acredita que os brasileiros tendem a perder espaço para a mão-de-obra oriunda de outros países asiáticos, como China, Viet-nã e Camboja. “De modo geral, o trabalho do brasileiro rende mais, mas a diferença do custo para as empresas é grande. Há vietnamitas que trabalham muito bem por um salário de 70 mil ienes e ficam felizes com 700 ienes por hora extra”, explica. “De qualquer forma, não creio que faltará trabalho para quem é disciplinado e com algum diferencial, como nihongo ou um curso de solda, por exemplo.”
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Mar 21 2007
Saiba avaliar os benefícios das empreiteiras
Com a economia aquecida e a escassez de mão-de-obra para determinadas vagas, o mercado de trabalho japonês tem vivido um momento de oportunidades. Na corrida para preencher os postos de trabalho vagos, muitas empreiteiras têm reduzido suas exigências e oferecido “atrativos” extras. Apesar da aparente “mina de oportunidades”, nem sempre os atrativos oferecidos são tão vantajosos. Muitos dos benefícios possuem “entrelinhas” que impõem uma série de condições. Além disso, um benefício é interessante para um perfil de trabalhador. Em alguns casos, os trabalhadores só tomam conhecimento dessas entrelinhas depois de terem aceito o novo emprego. Com o intuito de orientar o trabalhador sobre as melhores escolhas a fazer e quais cuidados tomar, o Jornal Tudo Bem esmiúça alguns desses atrativos oferecidos pelas empreiteiras.
Para o tantosha da área de auto-peças Rogério Fuji, além do aquecimento do mercado, o “êxodo” dos trabalhadores que aproveitam o final de ano para ir para o Brasil também motiva a escassez de mão-de-obra. Na opinião de Fuji, muitas das vagas que possuem “atrativos demais” são as que poucas pessoas querem.
Já o colega Milton Minoru, conta que, além do prêmio de assiduidade, a empreiteira tem oferecido um prêmio de apresentação para os atuais funcionários que levam amigos ou parentes. “É um estímulo para o nosso atual funcionário e ajuda a ‘filtrar’ candidatos”, explica ele. “Começamos a pagar o prêmio há poucas semanas, e já estudamos aumentar o valor.”
Em meio a tantos e distintos atrativos oferecidos pelas empreiteiras, alguns cuidados devem ser tomados pelos candidatos. Um deles é avaliar detalhadamente as entrelinhas dos benefícios oferecidos, que podem conter exigências ou condições demais, e tirar todas as dúvidas possíveis antes de assinar o contrato de trabalho. Outro é comparar os benefícios e o salário oferecido por uma empreiteira com as condições anunciadas por outra que lide com a mesma fábrica – ou serviço semelhante.
As vantagens para cada perfil
[-] Solteiros
Solteiros que não possuem dependentes, são mais “livres” para aceitar determinados benefícios. No caso da moradia, o custo é sempre mais elevado para quem mora sozinho do que para um casal ou uma família que divide o mesmo teto. Da mesma forma, o shakai hoken pode representar um custo mensal excessivo para quem quer poupar dinheiro rapidamente ou possui compromissos financeiros – remeter dinheiro para o Brasil, por exemplo.
[-] Casais/famílias
O aluguel de apartamento, sem vínculo com o emprego, é uma opção que oferece maior segurança e estabilidade. Para quem tem crianças, as creches podem ser vantajosas, desde que sua forma de trabalhar inspire confiança. Quem possui dependentes (crianças com menos de três anos ou idosos acima de 70 anos) deve analisar que o shakai hoken pode ser muito vantajoso em caso de eventual necessidade. Já para os casos de férias remuneradas e viagens, é preciso tentar negociar com a empreiteira a possibilidade de coincidir datas.
[-] Pessoas com mais de 45 anos
Para quem vive sozinho, a questão da moradia assemelha-se à situação dos solteiros – deve-se avaliar os prós e contras e estudar o orçamento mensal. Nesta faixa etária, o shakai hoken pode ter de ser acionado com maior freqüência e não deixa de oferecer segurança financeira, no caso de algum problema de saúde.
Os “atrativos” e suas “entrelinhas”
1 - Aluguel
Há empreiteiras que ajudam a alugar um imóvel, processo que costuma ser complicado para estrangeiros.
Fique atento: é preciso ter mais de três meses de trabalho e a escolha do imóvel deve ser feita num consenso entre a empreiteira e o funcionário – o que pode não ser tão simples.
2 - Apartamento
O imóvel fornecido pela empreiteira livra o funcionário dos processos das imobiliárias. Outra vantagem é que o imóvel dispõe de mobília básica.
Fique atento: a ocupação do imóvel está atrelada ao vínculo do trabalhador com o emprego. Em caso de demissão, o imóvel deve ser desocupado dentro de um prazo, muitas vezes, insuficiente para providenciar outra moradia.
3 - Creche
Para quem tem filho(s) pequeno(s), usar a creche da empreiteira pode ser vantajosa por causa da localização e facilidade de contato. A mensalidade varia de 30 mil a 50 mil ienes, com descontos para quem tem mais de um filho.
Fique atento: nem sempre as creches possuem estrutura e profissionais com a qualificação desejada. Todo cuidado é pouco no processo educacional e a recomendação é conhecer a fundo a creche antes de colocar seu filho lá.
4 - Férias remuneradas
Apesar de serem garantidas pela legislação, as férias remuneradas de dez dias por ano para todos os funcionários que cumprem pelo menos seis meses de trabalho não são dadas por todas as empreiteiras. Elas ainda são vistas como um “benefício”.
Fique atento: nem sempre o período coincide com os dias que o funcionário deseja ter. Para parentes ou casais que trabalham em uma mesma fábrica, as férias podem ser concedidas em datas diferentes – o que dificulta o planejamento de uma viagem.
5 - Kits de “sobrevivência”
Algumas empreiteiras oferecem brindes, como panela de arroz, futon e aquecedor, ou “kits de sobrevivência” (mantimentos e artigos de limpeza e higiene).
Fique atento: no caso dos eletrodomésticos, o uso está atrelado ao vínculo com o emprego. Em caso de demissão, poderá ser cobrado pelo desgaste desses bens.
6 - Mudança gratuita
Algumas empreiteiras oferecem mudança gratuita do funcionário, de regiões específicas do Japão. Outras oferecem o benefício para moradores de qualquer parte do arquipélago.
Fique atento: a concessão do benefício exige que o funcionário trabalhe um período mínimo de três a seis meses. Mas ele deve aceitar a proposta antes de conhecer o emprego oferecido.
7 - Passagem para o Brasil
Para “segurar” os funcionários nos empregos e evitar o “pinga-pinga”, há empreiteiras que oferecem a passagem aérea de volta
para o Brasil.
Fique atento: o benefício só será recebido se cumprir um longo período de contrato – de dois a três anos. Isso significa que, para receber o “prêmio”, terá que recusar propostas melhores de trabalho.
8 - Prêmio de admissão
Conforme a vaga postulada, algumas empreiteiras oferecem prêmios de admissão, que vão de 10 mil a 70 mil ienes.
Fique atento: o prêmio só é pago depois de o trabalhador cumprir um período mínimo de contrato, entre um e seis meses. Algumas parcelam
o pagamento.
9 - Prêmio de apresentação
Há empreiteiras que oferecem prêmios para quem apresentar um amigo ou parente e for admitido para determinados postos
de trabalho.
Fique atento: o prêmio só é pago se a pessoa indicada cumprir de três a seis meses de trabalho. Deve-se confiar na pessoa a indicar, pois o mau rendimento poderá “queimar o filme” de quem
a apresentou.
10 - Prêmio de assiduidade
Funcionários assíduos que não faltam e não chegam atrasados, podem receber prêmios por isso. O valor médio mensal é cerca de 10 mil a 15 mil ienes.
Fique atento: algumas empreiteiras são tolerantes, mas outras cortam parte do prêmio ou seu valor integral, independentemente do motivo da falta ou atraso (exemplos: doença, luto, tufão).
11 - Shakai hoken
Um número cada vez maior de empreiteiras tem incluído os trabalhadores no shakai hoken, seguro-saúde que cobre 80% das despesas médicas, entre outros benefícios (a edição da semana passada do Jornal Tudo Bem traz uma reportagem especial sobre
o assunto).
Fique atento: apesar de ser um plano eficiente, o shakai hoken consome 13,58% dos rendimentos do trabalhador e, futuramente, este percentual deverá aumentar. É preciso, também, verificar as restrições e entrelinhas do seguro.
12 - Sorteios
Ocasionalmente, nos períodos de economia aquecida (como o atual), algumas empreiteiras promovem sorteios entre os novos funcionários admitidos. Há prêmios variados: dinheiro, aparelhos eletroeletrônicos e até passagens para o Brasil.
Fique atento: o direito de concorrer a tais prêmios também exige que se cumpra certo período de contrato, que pode variar de três a seis meses. É preciso certificar-se da idoneidade
dos sorteios.
13 - Transporte para a fábrica
Para dar comodidade aos funcionários e ter a garantia de que não chegarão atrasados, há empreiteiras que oferecem transporte de
ida e volta.
Fique atento: se o veículo for transportar um número elevado de funcionários, o primeiro do trajeto de ida deverá sair de sua casa muito tempo antes do início do expediente – e o benefício poderá acabar trazendo transtornos. O mesmo ocorre com o último a ser deixado em casa.
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