Archive for the 'brasileiros no exterior' Category

Jun 22 2008

A jornada dos dekasseguis no Japão

Na quarta reportagem da série sobre o centenário da imigração japonesa, nossos repórteres apresentam os dekasseguis. Os nipo-brasileiros que foram tentar a vida no Japão.

A vida que todo aposentado pediu a Deus. Morar na praia e ainda ter um negócio para complementar a renda.

“Eu levo a fama, mas quem faz é ela”, conta o aposentado Hiroshi Wassano.

A casa e o barzinho em Boracéia, litoral norte de São Paulo, foram construídos com o dinheiro que a família Wassano ganhou no Japão.

Foram duas temporadas. Primeiro, pai e mãe sofreram 11 meses em uma metalúrgica. Quando as filhas cresceram, foram mais dois anos e meio de trabalho duro, montando marmitas de madrugada.

“Para quem tem um emprego bom no Brasil, não compensa o sacrifício”, afirmou Hiroshi Wassano.

Mas vá dizer isso para o povo que vive na ponte aérea São Paulo-Tóquio. “Bate saudades, mas tem que trabalhar”, disse o ferroviário Pedro Higashi.

E assim, brasileiros vão aterrissando na segunda maior economia do mundo. Com um poderoso parque industrial, o Japão não tem desemprego e a inflação não chega a 1% ao ano.

A maioria dos brasileiros que veio para o Japão tem uma historia parecida. Vieram pensando em ficar pouco tempo e juntar dinheiro para realizar um sonho em comum. Comprar um carro, por exemplo. Alguns foram ficando e chegaram muito além do próprio sonho.

Quando o comerciante Alexandre Seki chegou, só queria um carrinho. Dez anos depois, tem mais de 30 no estoque. Montou uma loja de automóveis em Hamamatsu, a cidade que mais tem brasileiros no Japão.

No país inteiro, são 300 mil pessoas fechando negócios em português. “Dos nossos clientes, 95% é brasileiro. É como se estivesse no Brasil. Não muda nada, só o poder aquisitivo do brasileiro aqui é diferente. O que ele quiser comprar, ele pode comprar”, afirmou Alexandre.

O regresso à terra dos avós começou no final dos anos 80, ainda no tempo da inflação galopante no Brasil. Sem emprego nem perspectivas, muitos descendentes adotaram a saída dos antepassados, mas na contramão e emigraram em busca de oportunidade.

O Brasil iria aprender mais uma palavra japonesa: dekassegui. “Originariamente, é um termo que japoneses usavam para os trabalhadores que saíam do sul que era pobre e ia para o norte para trabalhar temporariamente. Então, associaram: são os dekasseguis, que vieram do Brasil”, explica a pesquisadora Lili Kawamura.
Vida de dekassegui não é fácil. As fábricas reservam para os estrangeiros as funções que o japonês não quer. São os trabalhos definidos como três K, por causa das iniciais das palavras em japonês. Kitanai (sujo), kiken (perigoso) e kitsui (sofrido).

Quem viaja sozinho, ainda tem que enfrentar o isolamento e a saudade da família. Quando os pais de Osvaldo Asakawa chegaram ao Brasil, uma reunião seria impossível. Faz quatro anos que o assessor parlamentar que virou metalúrgico só vê a mulher e os filhos que ficaram em São Paulo através da internet.

“A única opção que eu tive para sustentar a família foi exatamente isso, fazer o caminho inverso do meu pai”, afirmou Osvaldo.

“A nossa intenção é estar toda a família reunida lá no Japão”, revelou Vanderléia Asakawa, mulher de Osvaldo.

Quem sabe, a família de Osvaldo não tenha o mesmo sucesso da tradutora Lourdes Tiemy Takano e do supervisor de fábrica Moacyr Tadashi Takano. Ele viajou primeiro e depois trouxe a mulher. Lá se vão 18 anos. Tiveram filhos, que hoje não sabem mais falar português.

“Ainda temos a intenção de, um dia, voltar. Temos casa lá, família, mas compramos a casa para eles, eles não querem voltar para o Brasil”, disse Lourdes.

Na casa de dekassegui, o cardápio dá a volta ao mundo em uma refeição, mas é um momento raro. Moacyr não pára em casa. É a rotina pesada de um brasileiro no Japão. “Trabalhava todo dia, hoje também, de segunda a domingo, mas domingo é na parte da manhã. Mas ainda está normal trabalhar os 30 dias”, conta Osvaldo.

Na década de 90, quase 200 mil brasileiros foram trabalhar no Japão. Em 2006, no último levantamento do consulado em São Paulo, foram emitidos pouco mais de 20 mil vistos.

Os paulistanos Viviane e Ricardo Moki Yabiko preparam os passaportes. Cem anos depois da primeira imigração de lá para cá, o jovem casal renova a aposta em um futuro do outro lado do mundo.

“Você é filho de um pai que veio fazer esforço no Brasil. Tem orgulho de seu pai?”, pergunta o repórter.

“Bastante. Da luta que eles tiveram”, respondeu Ricardo. “Espero que meus filhos tenham orgulho quando souberem que eu fui para o Japão fazer isso”.

Fonte: Jornal Nacional onde se pode ver o video inteiro.

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Jun 20 2008

Destino e distância separam família de imigrantes japoneses

A separação de uma família japonesa deveria durar apenas um ano. A idéia era trabalhar no Brasil, juntar dinheiro e voltar para casa. Mas o destino tinha outro plano. E a família, afastada pela distância, nunca mais se encontrou.

A família trabalhava na lavoura e tinha dívidas no Japão. Como muitas outras, decidiu vir trabalhar no Brasil. “A minha mãe falou: ‘Escuta, meu bem, nós têm seis crianças.Você cata esses três, vai lá no Brasil trabalhar um ano, pagar a dívida e você volta’ ”, contou a imigrante Kinko Yanai, conhecida no Brasil como dona Alice.

O pai trouxe as três filhas mais velhas, entre elas dona Alice. “Foi muito triste. Até hoje eu lembro, eu chorei muito e o meu pai disse que não sabia o que fazer. ‘Um ano passa logo, Kinko, não é nada’ “, contou.

A última vez que ela viu a mãe foi no porto de Kobe em 1941. A viagem de navio foi cheia de descobertas, como na primeira parada nos Estados Unidos quando viram negros pela primeira vez. “Eu nunca tinha visto. Aí quando foi lá, veio uma família assim. Família inteira de pessoas diferentes. A gente ficava com os olhos desse tamaninho e aí eles olhava na gente assim e foi muito marcante para a gente, né?”, relembrou.

Um ano se passou, mas a 2ª Guerra Mundial impediu a família de voltar para o Japão. Nem as cartas chegavam mais. “O meu pai quase enlouqueceu, porque ele queria saber da esposa dele, criança que deixou lá.” Foram nove anos de incertezas.

Apaixonada

Depois que a guerra acabou e o pai de Alice juntou dinheiro suficiente para levá-la de volta ao Japão, a jovem já estava com 18 anos. Apesar da saudade da mãe e dos irmãos, Alice decidiu ficar. Ela havia se apaixonada por Mário, um rapaz japonês com quem queria se casar.

Eles se conheceram na lavoura de café no interior de São Paulo. “Um dia meu colega falou para mim que ela gostava de mim, ela gostava de mim. Aí que deu aquela coragem e falei para ela. Declarei o amor e ela disse que também gostava de mim. Assim que nós começamos a namorar, sabe?!”, contou Mario, cujo nome de origem é Atsushi Kamimura.

O casal vendia verduras para pagar a educação dos filhos. Sérgio se formou em arquitetura e foi resgatar as raízes no Japão, onde conheceu os parentes. “A minha avó foi uma emoção muito grande. Ele, noventa e tantos. Ela andava curvadinha, né?!”

A família separada pelo destino e pela distância nunca deixou de manter os laços afetivos. “Até hoje a gente liga, manda carta, foto assim.”

Dona Alice sente falta dos que ficaram, mas é feliz aqui. “Eu lembro. Às vezes, fico muito nervosa assim, mas eu estou conformada, eu estou contente.”, diz Alice. “Uma mulher forte mesmo, que eu admiro, mais forte do que eu”, brinca Mario.

Dona Alice nunca mais viu os parentes que estão no Japão. Aqui em São Paulo, ela vive como uma legítima brasileira. Sabe quais são os pratos preferidos dela? Churrasco e feijoada.

Fonte: G1

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Jun 19 2008

Filhos de dekasseguis terão aula de reforço na rede pública de SP

Crianças filhas de dekasseguis (brasileiros que foram morar no Japão) terão aulas de reforço nas escolas da rede pública estadual de São Paulo por meio de um projeto inédito que será realizado entre a Secretaria de Estado da Educação e o Instituto de Solidariedade Educacional e Cultural (Isec). A idéia é identificar essas crianças para facilitar a adaptação delas na escola, quando elas retornam para o Brasil.
De acordo com a psicóloga Kyoko Nakagawa, coordenadora do projeto no Isec, dados do Ministério da Justiça do Japão apontam que em dezembro de 2007 havia 317 mil brasileiros morando no Japão. Além disso, estima-se que cerca de 20 mil brasileiros retornem para o Brasil todos os anos e, entre eles, estão cerca de cinco mil crianças. “E pelo que a gente sabe, 70% dessas crianças vão estudar na rede pública”, disse.

“As crianças muitas vezes não dominam a língua portuguesa e não conhecem a cultura brasileira. A partir de agora iremos identificar estes alunos e atuar na adaptação deles. Temos a estrutura e iremos contar com profissionais específicos para este trabalho”, afirma a secretária de Estado da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.

No entanto, o projeto vai começar de maneira tímida em cidades próximas de São Paulo e a expectativa é atender cerca de 60 crianças. “Essas crianças estão pulverizadas pelo estado e, por enquanto, não temos como atendê-las em todas as cidades. Por isso, o projeto-piloto será em cidades próximas a São Paulo onde sabemos que a comunidade japonesa tem uma presença forte”, disse Kyoko.

Como funcionará

O projeto será tanto para alunos japoneses quanto brasileiros que passaram algum tempo no Japão. Segundo o professor Hiroyuki Hino, coordenador do projeto dentro da secretaria, o primeiro passo do governo será mapear todas as escolas da rede para identificar onde está a demanda para esse tipo de atividade.

Após identificadas, as crianças terão apoio psicopedagógico para continuarem os estudos e se adaptarem à nova vida escolar. “Quando essas crianças voltam para o Brasil elas sofrem um choque muito grande, elas são quase um imigrante. A cultura é muito diferente e a língua também e isso faz com que elas tenham um descompasso muito grande com relação às outras crianças e tenham mais problemas escolares”, disse Kyoko.

Para isso, os profissionais especializados irão desenvolver técnicas com essas crianças para amenizar essa defasagem escolar, com aulas de português, matemática e outras disciplinas necessárias. Os atendimentos serão fora do horário das aulas. Segundo Kyoko, a idéia é criar multiplicadores do projeto para as escolas do interior.

A assinatura do convênio será nesta quarta-feira (11). A parceria entre secretaria e Isec será de dois anos, prorrogável por mais dois anos. A estimativa de gasto é de cerca de R$ 150 mil por ano, com transporte, estadia, alimentação, produção de materiais específicos e equipamentos, por exemplo.

Inclusão na rede estadual

Um parecer do Conselho de Educação dispõe que, mesmo sem visto ou histórico escolar, o aluno estrangeiro tem o direito e deve ser matriculado na rede estadual. Movimentos de imigrantes encontram hoje acesso à rede pública mesmo sem a documentação regularizada.

Fonte: G1

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Jan 17 2008

Governo planeja exigir nihongo para visto

O tema já foi discutido amplamente no início de 2007, mas nada efetivo aconteceu. Agora volta à baila o tema da exigência do domínio da língua japonesa para tirar e renovar o visto e, segundo matéria do Jornal Tudo Bem que posto abaixo, a decisão será anunciada ainda neste ano. O jornal prometia matéria completa na sua edição impressa lançada no dia 18/01 no Japão.

Governo planeja exigir nihongo para visto
Está sendo estudada a exigência do domínio da língua japonesa para tirar e renovar visto; decisão será anunciada ainda neste ano
por Cláudia Emi, de Tokyo

Um pronunciamento na TV feito terça-feira 15 pelo ministro das Relações Exteriores japonês, Masahiko Komura, ressuscitou um assunto que a comunidade brasileira pensava estar enterrado: o domínio da língua japonesa como um dos itens obrigatórios para se obter e renovar o visto de longa permanência no Japão.

Em 2006, o arquipélago contava com mais de 312 mil brasileiros. Desses, 234 mil seriam afetados com a mudança – número de portadores do visto de longa permanência. A alteração refletiria no mercado de trabalho e na contratação de mão-de-obra brasileira no Japão, além de novos dekasseguis no Brasil.

O grupo que estudará os prós e os contras da proposta será formado por membros do Ministério das Relações Exteriores e da Justiça. Embora ainda em estado embrionário, a maneira como será feita a avaliação do idioma não está definida, mas deverá provocar polêmica e incomodar a comunidade brasileira.

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Feb 03 2007

“Às vésperas dos 100 anos da Imigração no Brasil e 20 anos do Movimento Dekassegui, a verdade é que ainda há muito o que fazer em termos oficiais. Chegaremos a um momento em que, como os coreanos e norte-americanos, os brasileiros sejam julgados no seu próprio País por crimes cometidos no Japão? Talvez! Mas igualmente espero que cheguemos ao ponto em que a justiça seja “cega” e aplicada a todos, independentemente da sua nacionalidade, recebam sentenças adequadas ao delito cometido. “

Crimes na comunidade brasileira do Japão é o título de minha coluna desta semana no portal dekassegui Web Point Club. Nele comento os casos Fujimoto, Maeda e o do caminhoneiro japonês que matou 7 brasileiros. Agradeço aos membros da minha comunidade no orkut cujos debates e idéias me fazem pensar nos temas relacionados à comunidade e me mantém ao par de muita coisa e convido a todos a lerem e opinarem lá. Há também uma entrevista com o brasileiro ADELSON SILVA DE BRITO, Responsável de Prevenção ao crime na Comunidade Estrangeira de Hamamatsu, Shizuoka.

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