Mais de 3 mil membros da colônia japonesa de Bauru e região se reuniram ontem, no Recanto Tenri, para o tradicional Undokai, a festa de confraternização que, ao mesmo tempo que mantém viva a tradição de costumes japoneses, é sinônimo de confraternização entre nipônicos e brasileiros. Neste ano, a festa teve como tema o centenário da imigração japonesa.
De acordo com o presidente do Clube Nipo-Brasileiro de Bauru, Julio Akio Kosaka, a festa tem atraído mais participantes a cada ano, com destaque para a juventude. “Apesar de muita gente ainda estar indo para o Japão, muitos jovens têm se interessado cada vez mais pela cultura japonesa”, destacou.
O Undokai começou a ser realizado em Bauru em 1951, no Horto Floretal. De lá para cá, passou por vários locais e se estabilizou nos últimos dois anos no Recanto Tenri, que ontem se transformou em um pedaço do Japão. Várias gerações estavam presentes à festa, que tem como marca registrada as gincanas realizadas todos os anos, é também um evento que apresenta danças folclóricas e shows de músicas orientais.
Kosaka destacou também que a festa deste ano teve um significado especial por conta do centenário da imigração. Esse tema, aliás tem muito a ver com o objetivo do Undokai, já que atualmente há uma grande integração entre brasileiros e orientais, algo que não ocorria nos primórdios da imigração japonesa no País.
Kosaka lembrou, por exemplo, que vários integrantes do Nipo são brasileiros, alguns sem ligação alguma com os japoneses, mas que gostam dos costumes e da cultura nipônica. “Tanto é que faltou camiseta para os voluntários, porque a procura para trabalhar na festa foi muito maior do que o número de camisetas”, disse.
Miscigenação
Um dos traços marcantes do Undokai, este ano, foi o grande número de brasileiros participando da festa. Vários casais de namorados misturando as raças eram encontrados passeando pelo recanto. Sem falar nas famílias, que uniram as duas culturas em casamento e já levam as novas gerações para o Undokai.
É o caso da família de Shigueo Mário Kawashima, 44 anos. Nissei, ele casou com a brasileira Silvia Kawashima e teve dois filhos, Augusto e Jessica, que já fazem parte de uma nova geração de descendentes.Ontem, a família teve a companhia da irmã de Shigueo, Kazuko K. Kawashima Soares.
Terceiro de sete irmãos, sendo ele o único homem, Shigueo explicou que seus pais chegaram ao Brasil por volta de 1928, sendo o pai da região de Fukuoka e a mãe da região de Tóquio. Ele destacou que hoje em dia a mistura é natural, mas antigamente era muito mais difícil um japonês ou descendente se unir com brasileiros. “Conforme vão passando as gerações, essa integração vai sendo maior”, disse. A esposa de Shigueo faz coro ao marido e diz que não há muita dificuldade em se adaptar à cultura japonesa. “No começo você até estranha os hábitos alimentares, mas depois se acostuma”, salientou.
Fonte: Jornal da Cidade de Bauru
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