Apr 23 2008

Yukio Suzuki no MuBE

Published by Samantha at 11:00 am under agenda, exposição

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O Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) oferece até 1º de maio a exposição A Viagem de Yukio Suzuki, que reúne 104 obras do artista japonês. A mostra, gratuita, pode ser vista das 10h às 19h, de terça a domingo. Sua obra se destaca pelas cores, formas precisas e gosto eclético. Um dos destaques da exposição é a obra Matizes da Incidência, que são 807 cartões que retratam o desenho do mesmo objeto, com o mesmo ângulo, produzidos entre 2 de outubro de 1981 a 1º de outubro de 1992. As diferenças são as alterações cromáticas por terem sido produzidos em diferentes horários do dia.

Serviço:

  • “A viagem de Yukio Suzuki” – 60 Pinturas sobre tela
  • Local: Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) - Av. Europa 218, Jardim Europa - Grande Salão
  • Período: 10 de abril a 1 de maio de 2008
  • Horário: de terça a domingo, das 10 às 19 horas
  • Informações: (11) 3081.8611
  • Entrada Franca

Admirado por críticos e colecionadores importantes, o pintor Yukio Suzuki foi um mestre das cores e das formas puras e precisas. Seu trabalho se destaca pelo gosto eclético e sensível. A curadoria é das artistas Lila Papenburg e Sonia Bogaz, com a consultoria de Shoko Suzuki, viúva de Yukio. São 59 pinturas sobre telas e uma instalação que ganhará destaque especial: a enorme maçã, uma escultura com 2,5 de altura criada para a 14ª. Bienal Internacional de São Paulo, em 1977. A Grande Maçã foi construída em resina e fibra de vidro servindo um dos temas da Bienal, Recuperação de Paisagem, como uma sugestão para embelezar alguns pontos da cidade.

Especialmente para essa exposição, a arquiteta e cenógrafa Danielle Klintowitz recriou a sala de Yukio Suzuki na Bienal de 1977, em que a grande maçã está cercada por fotos de pontos marcantes da cidade em que a maçã é inserida.

Outro destaque é a parede com o trabalho Matizes da Incidência: 807 pequenos cartões em que Suzuki desenhou os mesmos objetos, do mesmo ângulo, entre 2 de outubro de 1981 e 1º. de outubro de 1982. As diferenças entre eles são as alterações cromáticas, pois haviam sido realizados em horas diferentes do dia. Os matizes da incidência.

No MuBE serão ocupados 600 m2 com as obras do artista.

“Yukio é um artista cujo gesto pictórico aponta na direção do infinito. Da comoção com a natureza cuja beleza a arte amplifica – a grande maçã é apenas um exemplo desse ato enaltecedor – Suzuki procurou o absoluto no acidental e, assim, religa o seu espectador a certa dimensão do sagrado. Nesse sentido, suas telas conservam para nós a sua visão, essa paixão do artista por tudo o que nunca mais será e que em cada um de seus atos ele ansiosamente procurou ver e conter”, explica João Frayse Pereira.

Yukio Suzuki foi um artista preocupado em registrar o ser. O ser da árvore, da paisagem, da percepção. As imagens, conjuntos de objetos e atmosferas, verificam a unicidade. É o que o artista apresentou na história de sua vida. A crônica de um encontro. A sua arte foi a projeção da sua existência e o exercício da pintura e do desenho uma maneira de aprimorar o seu ser. Perceber a si mesmo a cada vez, e expressar este sentir através do gesto.

Segundo o crítico de arte, Jacob Klintowitz, os artistas Claude Monet e Yukio Suzuki se assemelham no mesmo intuito, que foi mostrar que o objeto é um objeto de luz e se modifica a cada momento do dia. “A exata colocação dos elementos plásticos sempre conferiu à obra de Suzuki uma extraordinária clareza. Nada é vago ou tópico. Ao contrário, todas as coisas são únicas, idênticas a si mesmo e afirmam que não poderiam ser de outra maneira”.

Sobre o artista:

Nascido em Sendai, cidade do nordeste japonês, Yukio Suzuki nunca aceitou ser outra coisa senão pintor. Aos 22 anos de idade teve seus trabalhos admitidos na Exposição de Arte Moderna do Jornal Kahoku, conhecida sede do vanguardismo nipônico, onde retornou dois anos depois, em 1950.

Esta distinção de validade crítica credenciou-o para a sua primeira exposição individual na Galeria Saegusa, de Tokyo, em 1952. Durante quatro anos, no período de 1958 a 1962, integrou as exposições do grupo de Sanki. Chegou ao Brasil, em 1962, ao lado da mulher, Shoko.

Instalados em São Paulo, passaram a se dedicar às mesmas atividades que exerciam na terra natal: a pintura e o desenho de Yukio, as cerâmicas de Shoko. Yukio apareceu pela primeira vez na coletiva anual do grupo SEIBI de São Paulo, em 1965. Em 1967, participou da Bienal Internacional de São Paulo, o que repetiria em 1973 e 1977, nesta como convidado.

Desde o início de sua carreira no Brasil foram dezenas de individuais e coletivas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Brasília, entre outras cidades, com presença constante nas principais galerias, salões e espaços culturais. Enquanto teve saúde, Yukio Suzuki manteve-se ativo, trabalhando muito, recebendo prêmios e distinções, sempre mantendo o silêncio e a discrição que o caracterizaram.

“Suzuki sempre gostou de trabalhar isolado e produzia muito, sem se interessar em vender os quadros”, diz Shoko. Em 1989, Yukio foi diagnosticado portador de Mal de Parkinson. Faleceu em 2004.

Fonte: Onde e Quando

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