Feb 26 2008

Por que meus avós migraram

A propósito da estréia de Haru e Natsu na Band, relembrei os motivos que fizeram meus avós migrarem para o Brasil.
Batian veio para cá contra a vontade de sua mãe (já viúva) numa imposição do irmão mais velho, porque a companhia de imigração que os trouxe exigia que fosse uma família composta de “um casal mais um adulto”. Consta que era a única filha mulher e que a mãe sentiu imensamente sua falta. A melhor amiga era esta prima com quem trocou cartas a vida toda e cujo filho ainda se corresponde conosco e atenciosamente recebeu a todos quiseram conhecer a propriedade onde Batian nasceu em Niigata - e que ele herdou.
O Ditian veio a convite do “sensei” (professor), que queria vir com a esposa e precisava deste “adulto” a mais. Aqui o sensei se entregou à bebida (dizem que por desgosto) e Ditian se viu sozinho e sem condições de retornar. Meu tio Massao contava que meu Hiditian (bisavô) era contra a viagem, mas não conseguiu dissuadir o filho e na viagem de trem até Kobe, porto do qual partiria com o sensei, deu-lhe um relógio caro de ouro, que meu Ditian poderia vender para retornar quando quisesse. A viagem era um sonho do menino de 14 anos, o desejo de fazer fortuna e ajudar o pai que perdera seus negócios de importação de madeira da Coréia (Fukuoka fica perto da Coréia) e era um viúvo solitário. Sem conseguir fazer a fortuna prometida e tendo seu relógio de ouro roubado pelo sensei, Ditian decidiu ficar em definitivo no Brasil e cortou
contato com os familiares no Japão.
E a história de sua familia, qual é?

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One Response to “Por que meus avós migraram”

  1. Fernandaon 26 Feb 2008 at 3:32 pm

    Que história triste, Sam…Fiquei a pensar nesse seu bisavô, sem filho, sem notícias dele e no seu avô, agarrado a uma promessa impossível. Outros tempos e outras mentalidades, não é?
    A história da minha família dava um filme, rsss…só vou contar um pouquinho. O meu bisavô imigrou para a Baia, mt jovem e solteiro. Fez fortuna, possuia uma importante fábrica de tabaco na Bahia, casou com uma brasileira, que pelas fotos me parece ter sangue mestiço (indígena e negro) e de quem nós herdamos o cabelo preto. Regressou a Portugal com a família, mas entretanto a mulher morreu. Depois casou com uma sobrinha ( teve até uma licença especial da igreja para isso, acredita?) e colocou os filhos num colégio de freiras, em Vigo, Espanha. Fico por aqui, mas o meu bisa tem muitas histórias engraçadas.
    Beijos

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