Archive for September, 2007

Sep 11 2007

Treinamento mostra como agir em caso de calamidades

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Exercícios acontecem justamente em um momento de preocupação dos brasileiros com o terremoto de Tokai

do IPC Digital

Com o objetivo de conscientizar a população sobre as conseqüências de um terremoto, foi realizado em Oizumi (Gunma), um treinamento de prevenção contra calamidades naturais. O evento envolveu cerca de 850 pessoas do corpo de bombeiros, polícia, exército e voluntários das associações de bairros da cidade, que se reuniram no último dia 26. Um grupo de 54 brasileiros, entre alunos, pais e professores do Instituto Educacional Gente Miúda, também pôde conhecer os procedimentos adotados em caso de terremoto.

Nas margens do rio Tonegawa, sob forte calor, foram realizados treinamentos de refúgio, demonstrações de primeiros-socorros, extinção de incêndio, salvamento de vítimas em caso de acidentes de trânsito, resgate em helicóptero e confecções de barreiras em caso de inundações. O exército mostrou também como é feita a preparação de comidas instantâneas em caso de catástrofes. O último treinamento desse porte na cidade, envolvendo várias instituições, ocorreu em 2004.

O treinamento foi feito justamente em um momento de preocupação dos brasileiros com o Tokai Jishin. A reportagem veiculada no programa Fantástico, da Rede Globo, deixou muitos preocupados com o forte tremor previsto para ocorrer na região de Tokai, zona que engloba Shizuoka e Aichi, províncias com grande concentração de brasileiros. “Não sabemos quando pode acontecer. Espero que não ocorra tão cedo”, destaca Tânia Assato, 39, também de Oizumi.

Há 15 anos no arquipélago, a brasileira já participou de outros três cursos do tipo e ressalta a importância dessas instruções. “Na hora em que acontece, já sabemos o que fazer. Sempre faço o possível de participar”, garante.

Prevenção é a palavra-chave. Tanto que na casa, Tânia já tem preparado o kit de emergência, com produtos de primeiros-socorros, medicamentos, comida e água. “Terremoto ainda é algo que tenho medo e assusta bastante, pois não sabemos como pode ser”.

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Sep 10 2007

Matsuri em Londrinha

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Sep 10 2007

160 mil nipônicos vivem no PR

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A estimativa é de que vivam hoje no Brasil 1,3 milhão de nipo-brasileiros, formando a maior comunidade nipônica fora do Japão. No Paraná, o movimento migratório dos japoneses começou em 1914. Inicialmente, eles se fixaram em Cambará, Cornélio Procópio, Assaí e Uraí, na região conhecida como Norte Velho, e somente em meados da década de 1920 chegaram à região de Londrina.

Hoje, são cerca de 160 mil nipônicos no estado, sendo a maioria radicada no Norte e Noroeste do estado, nas regiões de Londrina e Maringá, segundo dados do Consu-lado Geral do Japão. Os descendentes correspondem a 1,55% da população paranaense.

Na década de 1980, com o aumento do desemprego no Brasil e a escassez de mão-de-obra nas indústrias nipônicas, iniciou-se o movimento dekassegui no Brasil, com a ida de milhares de brasileiros para o Japão, fazendo um caminho inverso ao percorrido pelos seus ancestrais no início do século 20. De acordo com a Associação Brasileira dos Dekasseguis, 312.979 descendentes partiram para o Japão a trabalho, em 2006. Anualmente, cerca de US$ 5 bilhões são enviados ao Brasil pelos dekasseguis.

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Sep 10 2007

Fusão entre o Oriente e o Ocidente

ANDYE IORE E SIMONI SARIS
Da Gazeta do Povo on line

Os japoneses que ajudaram a desbravar as terras vermelhas do Norte do Paraná fizeram muito mais do que contribuir para o progresso econômico da região. Aos poucos, os costumes cultivados pelos orientais foram deixando os núcleos fechados dos lares e hoje, as artes, a culinária e os costumes nipônicos foram incorporados pelos ocidentais. “A partir do momento em que os elementos da cultura japonesa são incorporados pelos não-descendentes, a cultura torna-se eterna. Temos a certeza de que não vai acabar”, comemora Mity Shiroma, que é coordenadora do Londrina Matsuri, festa japonesa que acontece anualmente em Londrina e já completa cinco edições.

Mity confirma que a aproximação do Oriente com o Ocidente geralmente se dá pela culinária, mas esse é só o primeiro passo para o contato com todos os elementos culturais do Japão. “Todo mundo é pego pelo estômago. Aqui, ninguém foge à regra.”

A comunidade nikkei em Maringá é formada por aproximadamente 20 mil pessoas. O principal ponto de encontro é no clube Associação Cultura e Esportiva de Maringá (Acema).

A colônia é exemplo de como é possível integrar culturas diferentes e da participação nipônica no desenvolvimento estadual como ações sociais (asilos), esportivas (beisebol, tênis de mesa, judô) artísticas (dança, canto, artes), gastronomia, agrícolas, políticas, entre outras. “Os setores com mais influência são a cultura e a gastronomia”, aponta o professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Maringá

(UEM), João Fábio Bertonha. “Nunca vi uma cidade que come tanto sashimi e sushi como em Maringá.”

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Sep 10 2007

Japonês de coração, corpo e alma

Influência oriental está presente na cultura, gastronomia, política e economia do Paraná

por ANDYE IORE E SIMONI SARIS

Da Gazeta do Povo on line

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O artista Antônio Luz dos Reis: inspiração oriental
O artista Antônio Luz dos Reis: inspiração oriental

Londrina e Maringá – A imigrante centenária Tidori Kinsu e o artista plástico Antônio Luz dos Reis, de 43 anos, têm mais em comum do que possa parecer. A mulher de 100 anos não conhece o desenhista, apesar de ambos morarem em Londrina, no Norte do Paraná. Mas Reis sabe tanto sobre o país de origem da senhora Kinsu como se ele próprio tivesse nascido no Japão.

Reis aprendeu a ser japonês ainda criança. “Comecei desenhando com amigos na escola quando tinha 7 anos. Via aqueles mangás e queria fazer igual”, conta o filho de família afrodescendente migrante baiana, que chegou ao Paraná no final da década de 1950. O artista plástico vive cercado de ícones da cultura nipônica. Em seu apartamento há objetos como o calçado de madeira geta, acessórios de samurai e pergaminho gohonzon. É fã do cinema oriental – os cineastras Shohei Imamura e Akira Kurosawa são os preferidos – e do teatro Kabuki. Uma de suas séries tem 15 gueixas, pintadas entre o final da década de 1980 e o início da de 1990.

Fotos: Gilberto Abelha/ JL
Gilberto Abelha/ JL / Tidori Kinsu, imigrante japonesa de 100 anos: cultura preservada
Tidori Kinsu, imigrante japonesa de 100 anos: cultura preservada

Tidori Kinsu chegou ao Brasil em 1925, aos 19 anos, recém-casada e com um filho de 3 meses nascido a bordo do Kawatsu Maru, o segundo navio de imigrantes japoneses a aportar no país, seguindo o rastro do Kasato Maru, que chegara a Santos 17 anos antes. O sonho dourado no país ocidental foi mais difícil do que o esperado. Depois de passar pelo interior de São Paulo, o jovem casal chegou ao Paraná. A filha de Tidori, Suelo Kinsu Sato, conta a história da mãe, que ainda tem dificuldade para falar e entender o português. “Eles achavam que a vida aqui seria mais fácil. Todos falavam que no Brasil se ganhava bastante dinheiro, mas não foi bem assim. Meu pai teve uma grande decepção.” A falta de dinheiro e a dificuldade de adaptação à nova terra foram alguns dos obstáculos para criar os 14 filhos que tiveram. Sem contar a saudade de casa.

A história da separação familiar se repetiu anos depois. Atraídos pela oportunidade de trabalho, os filhos de Tidori voltaram à terra natal da mãe. Sueko ficou pouco tempo, mas a filha dela está no Japão há 15 anos. “A minha neta, de quase 14 anos, é japonesa nata. Uma das minhas irmãs também foi para o Japão há 16 anos e não pensa em voltar”, diz.

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Fusão entre o Oriente e o Ocidente

160 mil nipônicos vivem no PR

Histórias como a de Tidori contam também um pouco da participação dos imigrantes japoneses na colonização do estado do Paraná, em especial as regiões Norte e Noroeste. Em Maringá, pioneiros construíram trajetórias de trabalho e sucesso em diversos setores da sociedade. O empresário Takashi Suzuki, 84 anos, chegou ao Brasil aos 9 anos, junto com a família, atraída pela possibilidade de enriquecimento, que prometia ser rápido. “O que atraía os japoneses ao Brasil era a notícia de que havia uma árvore carregada de ouro [o café]”, lembra. A intenção dos japoneses era trabalhar por cinco anos e voltar ricos para casa. Mas a lida na lavoura rendia pouco dinheiro, e eles tinham dificuldades extras de adaptação, com hábitos, comida, idioma e até fisionomia diferentes dos demais imigrantes e dos próprios brasileiros.

Suzuki tem sua história registrada em nove folhas de papel escritas por ele mesmo no idioma oriental. “Já fui quatro vezes ao Japão. Visitar lá é bom, mas não existe lugar melhor para morar que o Brasil”, conta.

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Sep 03 2007

Uto, a primeira brasileira de olhos puxados

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Concebida no Japão e nascida no Brasil, Uto Kinjo viveu desde cedo os sacrifícios dos imigrantes japoneses

Lenita Outsuka, especial para o Jornal da Tarde

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SÃO PAULO - Em 17 de junho de 1908, o Kasato Maru chegou ao porto de Santos. Mas era noite e os cerca de 800 japoneses a bordo tiveram de esperar o dia amanhecer para desembarcar. Da amurada do navio, a jovem Kame viu fogos de artifício emimigra terra e pensou que os brasileiros faziam festa pela chegada dos imigrantes. Só mais tarde descobriu que foguetório, nos junhos brasileiros, é coisa normal…Kame e Ushisuke Miadaira, marido e mulher, também não sabiam que a família iria crescer em breve e que seria deles a primeira nissei brasileira: Uto nasceu em 28 de novembro de 1908.

Concebida no Japão e nascida no Brasil, Uto – que mais tarde viraria Bartira – não conheceu as privações de 52 dias no mar. Mas viveu desde cedo os sacrifícios dos imigrantes: três dias depois de dar à luz, Kame voltou ao trabalho na lavoura, na Fazenda Floresta, em Itu, para onde foram enviadas outras 23 famílias, a maioria proveniente da ilha de Okinawa, que viajaram no Kasato Maru.A história dos Miadaira foi resgatada pela neta de Uto, a jornalista Leda Márcia Arashiro. Imbuída do espírito das ne-san (irmã mais velha, aquela que assume a família na ausência da matriarca), ela decidiu contar aos irmãos e primos a história da família, que a maioria dos descendentes desconhecia. “Não pensei em escrever um livro”, revela. Mas não descarta a possibilidade. Afinal, a vida dos Miadaira tem inúmeros pontos em comum com a de outras famílias imigrantes que queriam realizar um sonho no Brasil. E eles conseguiram.

Leda Márcia conta que começou a pesquisar o assunto há muito tempo. No papel, a história começou a tomar forma em 2003. O interesse veio da infância: “Minha mãe trabalhava o dia inteiro e eu passava o dia com minha avó. Ela contava muitas histórias e, como não sabia ler em português, pedia para eu ler notícias de jornal para ela.”

Uto ganhou o sobrenome Kinjo em 1926,aos 18 anos, quando casou com Kosei, jovem culto e apaixonado pelas letras, recém-chegado do Japão. Um achado, na época. Os imigrantes vinham com a família, geralmente casais jovens com filhos pequenos, e era raro um rapaz solteiro disposto a casar com uma brasileira. Os Miadaira, na época, já tinham feito fortuna, graças a uma alta no preço do arroz e às plantações de banana que iniciaram em Cedro, subdistrito de Juquiá – é curioso acompanhar os deslocamentos dos okinawanos pelo interior de São Paulo: de Itu foram para Santos e ajudaram a construir a ferrovia que atravessa o Vale do Ribeira. Isso explica a grande quantidade de descendentes nipônicos na região. E foram os okinawanos, também, que introduziram o cultivo da banana na região.

Mas Uto e Kosei não ficaram em Cedro. Dentro da tradição japonesa, o ni-san (o filho primogênito) herda os negócios da família e fica responsável pelo bem-estar dos pais. E Uto, apesar de ser a filha mais velha, era apenas uma mulher. E não teria parte na herança.

O casal foi plantar bananas em Alecrim, em terras arrendadas. Tempos difíceis. “No fundão do Vale do Ribeira, sem luz, com a casa sujeita a inundações, trabalhando o dia inteiro, a 12 quilômetros da estrada de ferro que levava a Santos, ponto mais próximo da civilização”, descreve Celso Kinjo, o filho mais novo do casal. Essa luta se estendeu até 1936, quando a família, agora com três filhos (Luzia, Laura e Armando), foi cuidar de um entreposto de distribuição de bananas em Santos. Mais três anos e todos vieram para São Paulo, para se instalar na Vila Votorantim, uma rua em forma de ferradura e que começava e terminava na rua Barão de Duprat, na região do Mercado Central. Ali nasceram Araci, Humberto e Celso.

As lembranças de Leda Márcia com o avó são desse período na Vila Votorantim. Os okinawanos do interior queriam que os filhos estudassem, mas nem sempre havia escolas onde moravam. Então, mandavam os filhos para a casa dos Kinjo. Uto, sem nenhuma ajuda financeira, acolhia, alimentava, cuidava e sustentava todos – e todos permaneciam por anos a fio, até completar os estudos. A neta conta que conheceu muitos “tios” que nem faziam parte da família. As filhas, já crescidas, ajudavam. E ainda sobrava tempo para fazer amizades e aprender novas receitas.

Cozinheira de mão cheia, Uto preparava excelentes pratos japoneses. Mas fazia também charutinhos de uva, esfilhas, feijoada, paella… A Vila Votorantim reunia imigrantes das mais variadas nacionalidades e as mulheres trocavam receitas, ingredientes e confidências. Nesse período, adotou o nome de Bartira – explicou à neta que tinha gostado da história desse nome, mas Leda Márcia nunca soube se era a história da índia Bartira, a mulher de João Ramalho, português que viveu com o índios Guaianá na região de São Vicente.

A avó, para Leda Márcia, era uma mulher forte, batalhadora. E alegre, sempre disposta a contar histórias. Interessada, informada: ouvia rádio e sempre pedia para a neta ler os jornais para ela. Uto Miadaira faleceu em 16 de fevereiro deste ano. Faltou muito pouco para ela festejar o centenário, junto com o centenário da imigração.

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