Jul 31

Do site Ultimo Segundo, editoria de Economia

31/07 - 04:48 - EFE

Gonzalo Robledo Tóquio, 31 jul (EFE).- A melhora do emprego no Japão e a alta da despesa das famílias, anunciadas hoje, se somam às previsões otimistas da Bolsa de Valores de Tóquio e neutralizam a incerteza da cena política após a derrota do Governo nas urnas.

Hoje o Governo anunciou que o desemprego no Japão ficou em 3,7% em junho, com uma queda de 0,1 ponto percentual em relação a maio. O nível é o mais baixo em nove anos. Os analistas previam que a taxa se manteria em 3,8%.

A evolução, que representa 530 mil pessoas empregadas a mais, elevando o total a 64,91 milhões, foi mais forte entre os jovens. À medida que os “baby boomers”, nascidos após a Segunda Guerra Mundial, se aposentam, a nova geração toma as rédeas da economia.

O aumento do emprego beneficiou a indústria, o varejo e os atacadistas. E o índice também se refletiu na despesa das famílias.

A despesa média das famílias japoneses subiu 0,1% em junho em relação ao mesmo mês do ano anterior, até ¥ 280.587 (US$ 2.340). Foi o sexto mês consecutivo de melhora, levando os analistas a identificar um avanço lento mas sustentado.

No entanto, para parte dos analistas a alta foi “insuficiente” para incentivar uma elevação dos juros. O Banco do Japão mantém a taxa básica em 0,5%, o nível mais baixo do mundo industrializado.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei atravessa uma seqüência de baixa, atribuída às quedas em Wall Street. Mas os analistas prevêem uma recuperação gradual, que leve aos 19 mil pontos até o fim do ano.

Os investidores japoneses, segundo os analistas, vão se concentrar nos bons resultados das empresas do país, beneficiadas pela expansão global. Assim, o Nikkei deverá entrar numa curva de alta.

A Bolsa mostra otimismo num momento em que o Governo de coalizão acaba de perder a maioria no Senado, após as eleições de domingo passado. O primeiro-ministro, Shinzo Abe, continua sob pressão para renunciar.

A possibilidade fortaleceria as esperanças do mercado financeiro de um adiamento da alta do imposto sobre o consumo, proposta pelo governante.

Alguns analistas políticos, porém, descartam uma renúncia de Abe, citando a falta de candidatos viáveis entre os dois partidos da coalizão governante. Eles acreditam que a derrota na Câmara Alta vai acelerar as reformas econômicas.

A imprensa financeira acusa a Abe de atrasar as reformas, tirando competitividade da economia japonesa, enquanto a população envelhece e o Japão apresenta o maior déficit fiscal dos países desenvolvidos.

Uma análise do jornal “Nikkei” afirma que a falta de clareza de Abe despertou críticas no eleitorado das zonas rurais, que considera que suas reformas polarizam a economia das diversas regiões. Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro sofre a rejeição dos eleitores urbanos, que temem que as mudanças não sejam suficientes.

A perspectiva da continuidade de Abe no Governo e o bloqueio de suas leis por parte da oposição levou os diretores das patronais a pedir ao Partido Democrático, que controla agora o Senado, que situe a economia acima dos interesses partidários.

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Jul 30

Marina Kubota, uma amiga virtual e membro da comunidade Movimento Dekassegui no orkut, está desenvolvendo um projeto na área de saúde dos dekasseguis.
Ela precisa de relatos de dekasseguis relacionado à experiencias que tiveram na área de saúde no Japão. O projeto será enviado ao Ministério do Japão com a finalidade de ingressar profissionais brasileiros na área de saúde para atender a comunidade brasileira no Japão.
Para formatá-lo, ela precisa de relatos de dekasseguis que tiveram experiência relacionada aos temas:

  • qualidade do atendimento
  • dificuldade na comunicação
  • os prós e contras do atendimento de um profissional de saúde japonês

Se possível enviar relatos para: marinakubota@hotmail.com
Sua colaboração poderá beneficiar vários brasileiros que estão no Japão caso seja aprovado o projeto.

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Jul 29

O Nippon Foundation é uma das entidades que financia os estudos de descendentes de japoneses

Do IPC Digital - ipcdigital.com

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Ser bom aluno é pré-requisito ( )

Ser bom aluno é pré-requisito





No Japão, mesmo as universidades públicas são pagas. Dependendo do curso escolhido, a anuidade chega a custar até ¥ 10 milhões, como acontece em medicina. Por essa razão, os japoneses costumam planejar a economia da família enquanto os filhos nem começaram os estudos, já pensando na faculdade. No entanto, as famílias que não tiverem condições de assumir os custos da universidade podem recorrer às bolsas de estudo que são oferecidas no país.

O Nippon Foundation é uma das entidades que oferece bolsas de estudo para os descendentes de japoneses que tenham nascido em países da América Latina e Central, como é o caso dos nipo-brasileiros. Por ano, a associação disponibiliza cinco bolsas para os estudantes que tem interesse em cursar a universidade, pós-graduação ou fazer estágio no Japão.

O objetivo principal da entidade é promover o intercâmbio cultural e intelectual entre os países latinos e o Japão, dessa forma os alunos que querem vir para o país estudar ganham prioridade na disputa pela bolsa de estudo. “Dependendo do número de inscrições feitas por pessoas lá fora, fica disponível apenas uma bolsa para os nikkeis que vivem no Japão”, conta Hernan Kitsutani, que é ex-bolsista da associação.

O Nippon Foundation surgiu em 1996, criado pela Nihon Senpaku Shinkookai (Associação de Barcos do Japão). Por lei, parte do valor arrecado em ingressos e apostas realizadas nas competições de lanchas devem ser destinados a atividades educativas, culturais e esportiva. Assim, surgiu a fundação, para promover o desenvolvimento dos projetos sócio-culturais da entidade.

Para se candidatar a bolsa de estudos da Nippon Foundation é indispensável que o candidato tenha ascendência japonesa, idade entre 18 a 35 anos e conhecimento da língua japonesa suficiente para viver no Japão e acompanhar as aulas do curso em que foi aprovado.

A escolha da instituição de ensino é feita pelo próprio aluno, assim como os trâmites da matrícula. “O benefício cobre qualquer faculdade e curso que o candidado escolher”, explica Kitsutani. A bolsa tem duração máxima de 5 anos, sendo que, em caso de repetência, o benefício é cancelado.

As inscrições para concorrer às bolsas deste ano já estão abertas. O prazo final segue até o final do mês de julho. O formulário de inscrição está disponível no site da entidade (www.jadesas.or.jp/kenshu/scholarship/index_p.html) e pode ser preenchido no próprio idioma. Para aqueles que vivem no Japão, a bolsa cobre as despesas escolares e subsídios gerais, como moradia, passe escolar, seguro médico e gastos extras, como participação de estágios coletivos e congressos.

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Jul 29

Márcio de Andrade e Melissa Ura moraram no Japão entre 2002 e 2005, quando voltaram para o nascimento da filha

do IPC Digital - ipcdigital.com

Homenagem de uma amiga da família a Melissa, Alanis, Márcio e André

Homenagem de uma amiga da fam?lia a Melissa, Alanis, Márcio e André ( )


Homenagem de uma amiga da família a Melissa, Alanis, Márcio e André



Entre as vítimas do acidente envolvendo o Airbus-A320 da TAM no dia 17, estavam três ex-dekasseguis de uma mesma família: Márcio Rogério de Andrade, 35, a esposa Melissa Ura, 29, André Ura, 25, irmão de Melissa e, Alanis, de 2 anos, filha de Melissa e Márcio.

A ex-dekassegui Melissa Ura residia em Birigüi, interior paulista. No ano de 2001, casou-se com Márcio Rogério, ex-jogador profissional do Bandeirante, time da cidade. Em 2002, ela resolveu arrumar as malas e tentar a sorte no Japão juntamente com o marido. Como Márcio havia sido jogador de futebol, ele conseguiu um emprego em uma escolinha de futebol na cidade de Kawasaki, onde dava aulas. Enquanto isso, Melissa trabalhava em uma fábrica de alimentos. Em 2005, o casal resolveu voltar definitivamente ao Brasil, pois Melissa estava grávida da filha Alanis. Após o retorno, Márcio começou a atuar como empresário de jogadores.

Bastante abalados, parentes da ex-dekassegui ainda estão perplexos com a perda inesperada de quatro pessoas da família. “Estamos muito chocados e ainda não conseguimos acreditar como uma coisa dessas aconteceu”, ressalta Davson Roberto Ura, primo de Melissa.


Viagem

Márcio se deslocou para Porto Alegre aproximadamente duas semanas antes do acidente para tratar de negócios. A esposa Melissa viajou no dia 13 de julho, juntamente com a filha e o irmão para encontrá-lo. A intenção era retornarem juntos para a cidade de Birigui.

“No último contato que tive com Melissa ela estava um pouco triste, pois não poderia participar de uma festinha que a família faria no sábado. Ela estava acostumada a viajar de avião, pois já tinha ido ao Japão para trabalhar. Mas dizia que tinha medo dos momentos de aterrissagem e decolagem do avião”, afirma o primo da ex-dekassegui.

O irmão de Melissa, André Ura, também havia trabalhado por um ano como dekassegui, entre 2003 e 2004. Vários familiares de Melissa ainda continuam em terras japonesas. A mãe, ao saber do acidente, decidiu voltar do Japão, onde estava trabalhando em Yokohama (Kanagawa), para acompanhar o velório. Os corpos seriam velados primeiramente em Monte Aprazível, cidade natal de Márcio, e posteriormente trasladados para Birigüi.

Na quinta-feira (19), parentes de vítimas do Acidente da TAM estiveram no Instituto Médico Legal (IML) para tentar o reconhecimento do corpo. Mas o trabalho é difícil em função do estado dos corpos. Segundo estimativas do IML, a identificação das vítimas não deve ser concluída em menos de um mês.


:: Sobe para 11 as vítimas nikkeis do vôo 3054 ::


  • Akio Iwasaki - 70, era gerente nacional de vendas da Monange, empresa em que trabalhava havia 30 anos. Deixa mulher, dois filhos e dois netos.
  • Alanis Ura de Andrade - 2, filha de Márcio de Andrade, 35, e de Melissa Ura, 29, que também morreram.
  • André Ura Doná - 25, cunhado de Márcio Rogério Andrade, irmão de Melissa Ura e tio de Alanis, de 2 anos, que também estavam no vôo da TAM.
  • Ciro Numada - 47, casado, dois filhos. Era diretor administrativo-financeiro de uma concessionária de carros .
  • Enrico Shiohara - 31, casado, funcionário da empresa de tecnologia Vignette. Retornava para casa após uma demonstração de produtos em Porto Alegre.
  • Heurico Tomita - 51, engenheiro civil, morava em Maringá (PR) e era dono da empresa Consolit Engenharia e Sistemas Construtivos e diretor do Sindimetal (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Maringá). Voltava de uma viagem de trabalho. Era casado e deixa dois filhos.
  • Mariana Suzuki Sell - 30, advogada, natural da cidade de Campos (Rio de Janeiro). Filha de uma tradicional família da cidade, a jovem estudou em alguns países e chegou a ser bolsista na Universidade de Kyoto, no Japão, entre os anos de 2001 e 2003. Trabalhava na área de Direito Ambiental.
  • Melissa Ura - 29, esposa de Márcio Rogério Andrade, moradora de Birigüi (São Paulo), mãe de Alanis, de 2 anos, e irmã de André Ura, 25, também vítimas.
  • Mirtes Suda - 50, solteira, sem filhos, era natural de São Paulo e fazia parte da assessoria técnica da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química).
  • Rogério Sato - 28, solteiro, funcionário do Banco Real, atendia a área de recuperação de crédito e fazia viagens rotineiras a Porto Alegre.
  • Vanda Ueda - 42, professora de Geografia do Departamento de Geociências da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Natural de Urânia (São Paulo), Vanda havia se mudado para Porto Alegre há 8 anos para lecionar na universidade.

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Jul 28

Esqueci de comentar, mas eu fui conferir o Festival do Japão.
À parte aquelas curiosidades de feira, como uma panela de titânio custava 150 reais, o resto não representava grande novidade para nós. E as apresentações ficaram muito prejudicadas pela acústica do local, que é realmente péssima! Fui mais motivada pelas atividades para crianças que até comentei aqui, mas me frustrei muito. Não valeu a pena e custou muito caro. Não indicarei novamente, prometo. E se alguém foi motivado pelo meu post, gomen nasai, né?

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Jul 28

Estava fazendo uma busca de imagens da feira de Ueno em Tokyo e achei um blog interessante em português sobre Tokyo. Estou linkando ao lado, onde já constam outros do Brasil no Japão ou Japão no Brasil. Vale a pena conferir, oferecem uma visão muito interessante dos dois mundos.
Eu e meu marido passeávamos muito nesta região quando moramos em Tokyo morávamos em Kita, perto da Tabata Eki da Yamanote Line e dava para ir a pé a Ueno passando por Nishi-Nippori.
Num dia frio como este em São Paulo eu penso no calor que está fazendo em Tokyo hoje! Nihongairi.

Repito abaixo os links que indico:

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Jul 17


Hoje tem um especial sobre imigração japonesa no Jornal da Tarde, vale a pena conferir os temas:


A oportunidade é real ou só aparente?

Potencial do mercado japonês para o álcool encanta autoridades e tem números embriagadores. Mas há quem recomende cautela

Mulheres nikkei dão brilho à festa

Chieko, Tomie, Tizuka e Luiza já se preparam para o dia do centenário

Caminho de volta ainda é atraente

Japão deixou de ser o Eldorado, mas continua atraindo brasileiros

52 dias de viagem. E a chegada

Livro conta a história dos primeiros imigrantes que chegaram ao País

Enfim, o sonho se realizou

Conheça a história dos Miadaira, e da primeira nissei nascida no Brasil

No mundo da moda, a integração é total

Grandes grifes apresentam referências nipônicas e não causam mais espanto

Um nissei pronto para fazer história

Mesatenista Hugo Hoyama pode chegar ao seu nono ouro nos Jogos do Rio

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Jul 16

do DN on line

Leonídio Paulo Ferreira
jornalista
leonidio.ferreira@dn.pt

As portuguesas têm em média 1,36 filhos, mínimo histórico. As japonesas 1,32. Para o país asiático, as contas estão feitas: o último habitante morrerá em 2800, calculou o Yomiuri, jornal para levar muito a sério, com 130 anos de história e dez milhões de exemplares cada manhã. Para Portugal, falta um demógrafo fazer o exercício, mas o resultado só pode ser igualmente assustador: um dia não haverá ninguém.

Não vale a pena entrar já em pânico. Tal como os japoneses, ainda temos séculos para inverter a tendência. E se a primeira solução é óbvia (pelo menos dois filhos por mulher), a segunda passa pela importação de gente. De imigrantes. É o que está a ser feito por todo o mundo rico, com diferentes níveis de imaginação. O Japão, por exemplo, tenta atrair os nissei, brasileiros de origem nipónica. Portugal recebeu africanos, depois brasileiros e ucranianos. A Alemanha em tempos foi buscar turcos. A Grã-Bretanha, sobretudo indianos e paquistaneses. E a França, que se destaca pela tradição de acolhimento (até tem um presidente de apelido húngaro), virou-se para as antigas colónias árabes, esgotado que está o filão português, espanhol e italiano.

Há lições a aprender com a experiência da França. Está por fim a inverter-se o declínio demográfico, pois cada mulher tem já em média mais de 2,1 filhos. Resultado admirável, pois na UE só três países atingem o patamar que renova as gerações. A este ritmo, arrisca-se em 2050 a ultrapassar uma Alemanha a minguar e a ter o povo mais numeroso da Europa ocidental - como acontecia até aos tempos de Napoleão. E é graças à fertilidade das comunidades imigrantes que cresce. Por isso, cada vez mais franceses respondem por nomes como Sarkozy, Zidane ou Garcia (é o 13.º apelido mais comum, agradeçam a espanhóis e portugueses).

Tal como os franceses, o caminho mais seguro para os portugueses se salvarem da extinção (e, mais urgente, garantirem descontos para a Segurança Social) é somarem as soluções: mais filhos, sim, mas também imigrantes. Só que integrar pessoas de cultura diferente desafia qualquer país. Uma parte da opinião pública sente-se incomodada. E os discursos xenófobos tendem a aparecer, mesmo que envergonhados. Mas para lidar com o inevitável existem já dois modelos: a assimilação à francesa e o multiculturalismo britânico. Basta escolher. Ou então inventar um terceiro, com a experiência de 500 anos de mistura de sangues no Brasil, África e Índia.

Quem achar que os imigrantes não são solução pode sempre imitar uma boa ideia recente do espanhol Zapatero e acreditar que basta oferecer 2500 euros por criança para que as mulheres dupliquem de um dia para o outro o número de filhos. Mas, se fosse só uma questão de dinheiro, o Japão nunca teria de se preocupar com 2800.|

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Jul 16

Do Paraná Shimbun

Foi-se o tempo em que o ensino da língua japonesa tinha objetivo específico de preservação da cultura e a manutenção de uma identidade japonesa. Aquelas famílias tradicionais em que os próprios filhos de japoneses – os nisseis – conversavam em japonês em casa foi sumindo e dando lugar às novas gerações de descendentes, mais integradas à cultura brasileira. As mudanças vêm ocorrendo, ao longo de décadas, no esteio do centenário da imigração japonesa no Brasil e na discussão sobre o futuro da comunidade nipo-brasileira. Japoneses “legítimos” se escassearam, o apego à tradição e costumes também e o número de descendentes que falam ou entendem a língua japonesa foi desaparecendo. Soma-se a isso a debandada de boa parte da “colônia” para o país de origem dos seus ancestrais na condição de dekassegui, movimento sociocultural que não tem ainda duas décadas e que tem contribuído até para mudar a relação Brasil-Japão.
Com as mudanças, grande parte das tradicionais escolas de língua japonesa de Londrina encerraram as suas atividades, a maioria no período anterior ao movimento dekassegui, que reacendeu a necessidade de aprendizagem de língua japonesa. A Escola Megumi de Língua Japonesa foi uma das poucas que se mantiveram de pé nesse vai-vém de mudanças socioculturais e educacionais.
“Ainda tem pais que procuram matricular seus filhos em escola de língua japonesa com a intenção de preservar a cultura japonesa e o que existe de bom nela, mas muitos fazem isso pensando em conseguir bolsas para estudar no Japão ou têm interesse em levar seus filhos para acompanhá-los na trajetória de dekasseguis”, comenta Rute Ayumi Sakai, diretora da Escola Megumi.
A escola, além de se manter firme no segmento de ensino de japonês há quase 50 anos, é uma das que mais cresceram nas últimas décadas entre as diversas instituições de ensino londrinenses. Hoje oferece ensino fundamental e pré-escolar, com as línguas inglesa e japonesa incluídas no currículo. “Temos quase 300 alunos, a grande maioria descendentes de japoneses e mestiços, entre o ensino fundamental, pré-escola e curso específico de japonês. Mas muitos são não-descendentes, que buscam na escola o contato com a cultura japonesa e o relacionamento com nipo-brasileiros”, relata Rute.
“A gente busca essa integração entre as duas culturas, tentando contemplar o lado mais comedido, reservado e observador dos japoneses e o lado mais solto e extrovertido dos brasileiros. O taikô, por exemplo, que introduzimos como uma das atividades da escola, ajuda a despertar para a cultura japonesa. O que no começo eram só duas turmas foi se ampliando e hoje temos quatro turmas lotadas de interessados, que adoram participar de eventos como matsuri-dance”, conta.
Para ela, a manutenção e a ampliação da escola se devem à visão de futuro de seu pai e fundador da escola, professor Masahiro Sakai. “Ele sempre foi inovador, lia muitos artigos sobre a educação, foi criando apostilas, trazia palestrantes, procurou sempre aperfeiçoar os métodos de ensino. No próprio relacionamento com os pais ele buscou sempre acompanhar as mudanças, começou a tratá-los como brasileiros mesmo e a atendê-los em português. Afinal, hoje os próprios diityans (avôs) já conversam em português”, comenta Rute.
A escola, evidentemente, teve que se adaptar às mudanças. As aulas diárias passaram a ser dadas duas vezes por semana e o período de conclusão de curso foi flexibilizado. “Os alunos tinham que ter tempo também para cursos de inglês e outras atividades, e as aulas adaptadas para cada tipo de aluno, de crianças a adultos”. O material didático também passou por mudanças, até culminar na introdução de ensino fundamental, que além de inglês e japonês ensina também filosofia e artes. Essas mudanças, segundo Rute, foram sendo introduzidas para atender às necessidades da clientela.
Os filhos de dekasseguis necessitam de tratamento especial, segundo ela. “Tem crianças que voltam do Japão falando só o japonês, outras com português precário. As crianças entre 5 e 7 anos são de mais fácil adaptação, mas as de 10 anos são mais difíceis. Nós aconselhamos os pais a não deixarem de conversar em português com seus filhos enquanto estiverem no Japão”, diz.
Sobre o futuro do ensino da língua japonesa, Rute não tem dúvidas de um fato: “Não podemos mais pensar que o idioma japonês seja ensinado só para preservar a cultura japonesa. Embora ela esteja ainda muito presente entre os descendentes de japoneses, os objetivos em matricular as crianças nos cursos de língua japonesa são outros hoje. Temos que encarar como se estivéssemos ensinando inglês, francês ou espanhol”, finaliza.

Apoio japonês no ensino da língua
A Escola Modelo da Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná também passa por adaptações no ensino da língua japonesa. “Vivemos uma outra realidade hoje. É como ensinar para estrangeiro sem vínculo com a cultura japonesa, embora os objetivos originais se mantenham, ou seja, o de transmitir a língua e a cultura japonesas e servir à comunidade nipo-brasileira”, afirma a professora Luísa Kitanishi, nissei, ex-professora do ensino fundamental e do Ilece, responsável pela escola. Na Aliança, dos 120 alunos apenas 30 são crianças; o restante são universitários que pleiteiam bolsas, dekasseguis ou pretendentes a trabalhos no Japão.
“A grande diferença é que hoje as crianças já não aprendem ouvindo os pais falando japonês, a não ser uns poucos que têm em sua casa os diityans e baatyans (avôs). No tempo em que estudei o japonês, os pais conversavam em japonês e lia muitas revistas, gibis e jornais, que eles assinavam”, comenta.
A professora Luísa passou a dar aulas de japonês por acaso: “Vim fazer curso na Aliança sobre História do Japão, aí o sensei me convidou a dar aulas para as crianças e aceitei”, conta.
A diversidade da clientela faz a escola flexibilizar também o ensino. “Tem gente que vem para estudar dois meses, seis meses, um ano… A maioria quer noção básica de japonês, muitos vêm para recapturar o que já tinham aprendido, outros já estiveram no Japão e sentiram a necessidade de aperfeiçoar os conhecimentos na língua. Por isso, oferecemos o curso em níveis, que vão de básico, intermediário a avançado. Temos até uma turma de senhoras em nível acima do avançado”, relata.
A escola oferece aulas duas vezes por semana, de uma hora e meia cada. São cinco professores. A Escola Modelo de Londrina é subordinada ao Centro de Estudos da Língua Japonesa, da Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná, e segue a orientação nacional dada pelo Centro Brasileiro de Língua Japonesa, que, por sua vez, conta com o apoio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica).

Professora japonesa acha que nikkeis brasileiros têm bom nível
A Jica, aliás, disponibiliza professores japoneses para dar orientações aos professores de língua japonesa no Brasil. A Aliança abriga há um ano a professora japonesa Yoko Ota, que dá assessoria a professores de toda a região norte do Paraná. Ela deve permanecer na região por mais um ano.
Segundo a professora, de uma forma geral o nível dos alunos das escolas japonesas da região é bom, melhor que de outros países em que Jica atua. “Os nikkeis brasileiros conhecem a cultura japonesa, por isso absorvem melhor o ensino da língua”, ressalta.
Segundo ela, ainda pulsa o coração japonês no Brasil entre os descendentes de japoneses. “A impressão que tenho dos japoneses do Brasil é do Japão da década de 60. Parece que eles pararam no tempo”, comenta. Para ela, isso deve ter contribuído para que a comunidade nikkei brasileira ainda seja tão solidária, trabalhe em comunidade e promova tantos eventos relacionados à cultura japonesa. “Os japoneses de antigamente, mesmo não tendo dinheiro, se ajudavam mutuamente, conheciam seus vizinhos, visitavam-os. Se faltasse arroz, o vizinho emprestava, com todo agrado. Hoje a sociedade japonesa é apegada demais ao dinheiro, não se importam mais com seus vizinhos”, diz.
Sobre a questão dos dekasseguis, a professora Ota considera que é o caminho natural das próximas décadas. “Se falta mão-de-obra no Japão, é natural que se busque fora do país, e os brasileiros com ascendência japonesa podem ser bons parceiros, já que eles assimilam a cultura japonesa com mais facilidade. Acho que tanto a parte brasileira quanto a japonesa devem tentar facilitar a vida dos dekasseguis brasileiros no Japão, preparando-os inclusive em termos educacionais”, diz.

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Jul 15

do Paraná Shimbun - 14/7/2007

Danças modernas e tradicionais, músicas folclóricas, cantores contemporâneos e até referência aos desbravadores do Estado. A noite japonesa do 46º Festival Folclórico e de Etnias do Paraná, realizada no teatro Guaíra, no dia 5, trouxe diferentes apresentações para agradar a todos os públicos.

A principal atração foi a cantora japonesa Yumi Inoue, que participou pela segunda vez do show anual. A cantora, que está em sua 9ª visita ao Brasil, ficou conhecida entre os nikkeis após cantar em importantes eventos de São Paulo e viajar por várias cidades do país. Para ela, Curitiba é sua cidade brasileira favorita. “É uma cidade bonita, diferenciada, assim como as pessoas que moram aqui”, disse Yume Inoue. “Me sinto honrada em participar de um festival de grande importância como este e espero voltar no ano que vem”, afirmou.

Outra participação prestigiada foi a da dupla de dançarinas japonesas Tangue Setsuko e Hanayagi Ryuchita, consideradas autoridades na dança japonesa. Mesmo morando em São Paulo, as artistas já fizeram várias apresentações no Guaíra, tanto em conjunto como com coreografias ensinadas para o grupo de odori do Nikkey Clube. “Gosto sempre de vir para cá, principalmente porque as pessoas do grupo são muito dedicadas”, elogiou Ryuchita, que já participa do Guaíra há 17 anos e, há dez, trouxe a amiga Tangue Setsuko para se apresentar no Festival. Desde então, as duas são presenças constantes. “O show tem melhorado bastante, as roupas e as danças estão sempre mais bonitas”, contou Setsuko que, no entanto, mostra um descontentamento com o público. “Todas as pessoas se esforçam, o espetáculo exige muitas despesas, e eu gostaria que as pessoas compreendessem e prestigiassem”, afirmou a professora de dança.

Os jovens também tiveram destaque no Festival, demonstrando, nas apresentações de Taikô e Yosakoi Soran, muita habilidade e destreza. Além das apresentações dos grupos tradicionais de Curitiba, como o Wakaba e o Akabeko, o Festival teve ainda a presença do grupo Castro-ren, que apresentou a dança yosakoi soran na versão Tropeiro, uma referência aos viajantes que ajudaram a fundar a cidade de Castro, que inspirou o nome do grupo. Segundo o coordenador geral do evento, Yuichi Oshima, apesar de não ter a intenção de trazer grupos de fora da cidade, o trabalho feito no grupo de Castro merece destaque e reconhecimento. “É um grupo que não tem nenhum nikkei e é composto apenas por crianças carentes, mas que não tem espaço para se apresentar”, justificou Oshima.

Além dos grupos de dança e taikô, o Festival teve também apresentações do coral infantil da Escola Junshin e do coral da Seicho-no-Ie, assim como números de karaokê acompanhados pelo som da banda Nipson, do Nikkey Clube.

Público – Apesar do grande número de apresentações, o público ainda não foi o esperado. O coordenador geral do evento, Yuichi Oshima, informou que com o aumento de jovens o número de pessoas que prestigiam a apresentação está crescendo, mas o objetivo é atrair ainda mais pessoas. “É curioso, porque todos os que assistem elogiam bastante, mas os artistas encontram dificuldade na hora de vender”, diz o coordenador. Para Oshima, o que falta é uma divulgação para pessoas de fora da colônia. “Em qualidade, não perdemos para nenhum outro espetáculo, o que falta é procurar pessoas de fora que comprem os ingressos”, avaliou. É o caso da estudante Simone Miranda, de 18 anos, que foi pela primeira vez assistir ao Festival e aprovou. “Fui para ver o taikô e achei tudo muito legal”, afirmou.

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