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Era Nara
Ao conquistar a estabilidade com o sistema político de Ritsuryô, a corte imperial mudou a capital para cidade de Heijô, a oeste de Nara, dando início à Era Nara, em 710. A cidade de Heijô foi construída seguindo o modelo da capital chinesa da época, Changan, com ruas simetricamente dispostas como em um tabuleiro de xadrez. A cidade chegou a contar com mais de 100 mil habitantes e, nas ruas principais, perfilavam-se as mansões dos nobres, os templos budistas e também as casas do povo. Criaram-se feiras controladas pela corte, intensificando o comércio, que deu origem às primeiras moedas japonesas, embora no interior os tecidos e o arroz ainda desempenhassem a função de moedas.
A agricultura também ganhou novo alento com a difusão de ferramentas agrícolas e o progresso nas obras de irrigação. Além disso, os minérios são explorados em maior escala, tais como ouro da região de Mutsu (atualmente, províncias de Fukushima, Miyagi, Iwate e Aomori) e cobre da região de Suô (atualmente, província de Yamaguchi), fatos que também contribuíram para o início da cunhagem de moedas.Com o aumento do poder da corte Yamato, sua área de domínio passou a abranger regiões mais longínquas. A corte dominou desde o povo Emishi, ao norte do Japão, até o povo Hayato, ao sul da ilha de Kyûshû.Kentô-shi (Missão a Tang)Na Era Nara, para absorver a cultura avançada da dinastia Tang (China), foram enviadas várias missões. Normalmente, a missão partia numa frota de 4 navios e era composta por 100 a 250 pessoas, embora uma missão tenha chegado a ter 500 pessoas. Nem o perigo das ondas revoltas do Mar do Japão ou do Mar da China desanimou essa delegação, composta por estudiosos, monges e bolsistas, que tinha uma grande vontade de aprender a cultura chinesa, nova e mais avançada. Assim, as missões a Tang contribuíram muito para o desenvolvimento político e cultural do Japão. Ainda, nessa época, o Japão manteve intensa relação diplomática com Shiragui (Coréia) e Pohai, uma nação que existiu ao norte da China entre 698 ~ 926.
As mulheres no poder
A Era Nara também é conhecida como era das imperatrizes, já que houve muitas mulheres governantes que se destacaram por sua sabedoria e sagacidade. Nos 74 anos da Era Nara, cerca de 30 anos ficaram sob o governo das imperatrizes Genmei (707~715), Genshô (715~724), filha da imperatriz Genmei, e Kôken (749~758) que, mais tarde, assumiu novamente o poder sob o nome de imperatriz Shôtoku (764~770). A construção da capital em Heijô (Nara), a cunhagem da moeda e a edição das obras Koji-ki (história do Japão) e Fudo-ki (geografia do Japão) ocorreram no mandato da imperatriz Genmei. No governo de Genshô, foram concluídos o Código de Direito Yôrô Ritsuryô (obra com alterações parciais do Taihô Ritsuryô) e o livro de história oficial do Japão, o Nihon Shoki. Os 25 anos de governo do imperador Shômu (724~749) não podem ser contados sem mencionar sua esposa, a imperatriz Kômyo, filha do poderoso clã Fujiwara-no-Fuhito. Conhecida por sua alma caridosa, ela construiu instituições como Seyaku-in, para medicar e ajudar os doentes, e Hiden-in para abrigar os pobres, doentes e órfãos. Devota do budismo, Kômyo contribuiu para a construção do templo Tôdai-ji, conhecido pela imagem gigantesca do Buda. A Era Nara, a exemplo de outros tempos governados por mulheres, conheceu a paz e o florescimento da cultura.
Cultura Tenpyô
Recebe este nome por ter florescido na era Tenpyô (729~749). Sob forte influência chinesa, foram criadas muitas obras búdicas e muitos templos foram construídos, entre eles, o famoso templo Tôdai-ji, que ainda hoje possui um acervo fabuloso de obras de arte, inclusive obras indus e persas que, passando pelo caminho da seda (Silk Road), foram levadas a Tang (China), e mais tarde, ao Japão. O perseverante monge Ganjin (688 ~ 763)Para fomentar o budismo, o Japão convidou Ganjin, monge chinês conhecido por suas virtudes, para divulgar os preceitos do budismo. Ele aceitou o convite e tentou chegar ao Japão, mas foi náufrago por cinco vezes, sendo levado de volta às praias de Tang, e ficou cego. Mesmo assim, ele não desistiu de propagar o budismo e, na sexta tentativa, ele conseguiu chegar ao Japão, em 753. Ganjin construiu, em Nara, o templo Tôshôdai-ji, dedicando os últimos anos de sua vida à propagação do verdadeiro budismo entre os japoneses.
O sofrimento dos camponeses
Devido à alta taxa de impostos, serviço militar obrigatório e recrutamento para trabalhos diversos, os camponeses moravam em casebres e levavam uma vida miserável, passando fome, mal tendo com que se alimentar durante o ano todo. Para aliviar a carga tributária, surgiram os falsificadores do registro de família, ou mesmo aqueles que abandonaram o campo, fugindo para outras terras.Quando os arrozais começaram a dar sinais de abandono, ou tornaram-se insuficientes para a redistribuição, a corte consentiu a posse privada dos terrenos desmatados para o plantio. Em 743, com a lei de posse definitiva dos arrozais recém-explorados, que permitiu a posse de terras, se transformadas em terreno produtivo em três anos, nobres e templos começaram a aumentar as suas propriedades rurais, fato que corroeu, aos poucos, o alicerce do sistema político de Ritsuryô.

O despontar das literaturasCom o objetivo de deixar os fatos do passado para a posteridade, foram compiladas no período obras de referência histórica, geográfica e literária do Japão, depois de anos de intenso trabalhoAs primeiras obras de História do Japão (Kojiki e Nihon Shoki), de Geografia (Fudoki), e a antologia de poemas (Man’Yôshu) foram compiladas na Era Nara. Além delas, foram escritas outras obras de menor importância pelos clãs regionais ou a mando deles, já que o homem sempre teve o desejo de deixar para a posteridade os seus feitos.
Kojiki
É o livro de História do Japão considerado o mais antigo. A obra foi concluída em 712, a mando da imperatriz Genmei. Foi compilado por Ô-no-Yasumaro, com auxílio de Hieda-no-Are. Trata-se de uma obra em três volumes. No primeiro, são relatadas as peripécias dos deuses, desde a criação do arquipélago japonês; no segundo e terceiro volumes, as biografias dos imperadores, desde o primeiro soberano do clã Yamato, o imperador Jinmu, que subiu ao trono em 660 a.C., embora considerado pelos historiadores como um personagem fictício para legitimar a linhagem divina da família imperial, já que ele é considerado descendente direto da deusa do sol Amaterasu Ômikami. A obra termina com o governo da imperatriz Suiko (592~628).No Kojiki, são relatados episódios como o do capricho da deusa do sol, Amaterasu Ômikami, que se escondeu na caverna deixando o mundo mergulhado nas trevas; a aventura de Susanô-no-Mikoto, que mata a gigantesca serpente de 8 cabeças usando sua astúcia; e outras histórias.
Nihon Shoki
Primeiro livro oficial de História do Japão, foi concluído em 720 e compilado pelo príncipe Toneri Shinnô, terceiro filho do imperador Tenmu, e muitos outros. É uma obra de 30 volumes, que começou a ser compilada na época do imperador Tenmu (673 ~ 686) e levou 39 anos para ser concluída. Como há muitas citações de obras chinesas e coreanas, acredita-se que houve a participação de muitos kika-jin (intelectuais estrangeiros naturalizados) em sua confecção. Assim como Kojiki, relata desde os tempos dos deuses até a imperatriz Jitô (645~702), esposa do imperador Tenmu, que ocupa o trono após a morte do marido (690~697).
Fudoki
Em maio de 713, a imperatriz Genmei ordena que sejam feitos relatórios de cada região (fudoki) seguindo os cinco itens abaixo:
• Colocar o nome nas comarcas formado por dois ideogramas auspiciosos;
• Relatar todos os produtos (tudo que se colhe da natureza, excetuando-se os produtos agrícolas e manufaturados), plantas, peixes, aves e animais da comarca;
• Detalhar as condições dos solos; se são férteis ou não; terras produtivas e as que possam se tornar produtivas; • Descrever montanhas, rios, campos e explicar a origem de seus nomes;
• Anotar as lendas contadas por anciãos.Dessa forma, devem ter sido entregues fudoki de mais de 60 regiões, mas foram conservados até os dias de hoje apenas 5 fudoki, a saber: de Izumo-no-Kuni, Hitachi-no-Kuni, Harima-no-Kuni, Bungo-no-Kuni e Hizen-no-Kuni.
Dentre eles, o único que existe ainda hoje na íntegra é o Izumo-no-Kuni, fudoki concluído em 733, no qual constam as descrições de Izumo-no-Kuni, atual província de Shimane, e de seus templos xintoístas e budistas, montanhas, rios, estradas e produtos da natureza.Harima-no-Kuni (atual província de Hyogo) fudoki, um dos primeiros a ficar pronto, foi concluído por volta de 715, com registro de muitas lendas populares num estilo bastante singelo. O fudoki de Hitachi-no-Kuni (atual província de Ibaraki) deve ter sido concluído entre 717 a 724, e os de Bungo-no-Kuni (atual província de Oita) e de Hizen-no-Kuni (atuais províncias de Saga e Nagasaki), por volta do ano 739.
Man’Yôshu
É a antologia de poemas japoneses mais antiga, contendo mais de 4.500 poemas distribuídos em 20 volumes. Não se sabe ao certo quem reuniu e compilou todos os poemas, mas supõe-se que, no início da Era Nara, já houvesse um original reunindo os diversos poemas, ao qual o nobre Ôtomo-no-Yakamochi juntou a antologia de poemas da sua família, fez a revisão geral e concluiu a obra por volta de 760.
Nos últimos volumes, constam os poemas da autoria de Ôtomo-no-Yakamochi escritos após 746. Além dele, a antologia reúne poemas de imperadores, nobres, humildes camponeses, poetas da corte e outros tantos poemas de autoria desconhecida. Destacam-se, por seu alto teor literário, os poemas de Nukata-no-Ôkimi, amada do imperador Tenmu, Kakinomoto-no-Hitomaro, poeta da corte, Yamanoue-no-Okura, filósofo de grande conhecimento que fez parte de uma das missões a Tang (China), e muitos outros poetas. Os poemas foram escritos em kanji (ideograma), porém, levando em conta apenas as suas leituras, ou seja, utilizando-os apenas como fonogramas (kana). Assim, esse tipo de recurso da escrita recebeu a denominação de man’yô-gana, ou seja, fonogramas de man’yô-shu. Das escritas cursivas desses man’yô-gana, criaram-se, mais tarde, os fonogramas hiragana.

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Era Asuka
A Era Asuka (593–710) não é apenas uma subdivisão da Era Kofun, como pensam alguns historiadores. É um período importante da história japonesa, em especial da arte e da cultura do país. Foi nessa Era que floresceram obras de arte búdicas de relevante valor artístico. A transição de uma nação orientada pelo credo xamanista para uma nação institucionalizada, norteada pelas doutrinas confucionista e budista, em que grandes clãs começaram a substituir tumbas monumentais por templos budistas aconteceu na Era Asuka. São templos construídos com extremo requinte, com imagens de Buda que são verdadeiras obras de arte. Entre esses, destaca-se o templo Hôryû-ji (607), construído totalmente em madeira, considerado patrimônio da humanidade desde 1993.Na Era Asuka, a corte de Yamato, proveniente da região de mesmo nome (atual Nara e suas imediações), foi solidificando sua estrutura política, dominando os demais clãs. A figura central do Ôkimi (Grande Soberano) liderava a corte de Yamato. Clãs possuíam a função de ministros. Criaram-se cargos distintos, que passaram a ser hereditários, transformando-se de nação de caráter mágico-ritualístico, do tempo da rainha Himiko, para a de estrutura administrativa que se aproxima da moderna. Quando a soberana Suiko (592–628) tomou posse, em fins do século VI, seu sobrinho, o príncipe Shôtoku (574–622) tornou-se regente e, junto com o poderoso clã Soga-no-Umako, desenvolveu uma política para consolidar o sistema governamental do país. Assim, no ano de 603, foi criado, pelo príncipe Shôtoku, o Kan’i jûnikai (doze graus de hierarquia burocrática), para a valorização de burocratas. Em 604, ele instituiu o Kenpô Jûshichi-jô (17 Códigos da Constituição), mais preceitos morais norteados nas doutrinas de, principalmente, Budismo e Confucionismo. Com o objetivo de absorver o novo sistema político e cultural mais avançado, foram enviadas à China (na época, governada pela dinastia Sui) cinco missões de estudiosos e monges, o chamado kenzui-shi (missão a Sui, em japonês “ -Zui”).Com a morte do príncipe Shôtoku, o clã Soga aumentou seu poder. Insatisfeito com isso, o príncipe Naka-no-Ôoe (mais tarde, imperador Tenji), em conspiração com Nakatomi-no-Kamatari (posteriormente Fujiwara-no-Kamatari), destruiu o clã Soga (645) e, consultando aqueles que tinham ido estudar na China (na época, governada pela dinastia Tang), iniciaram a reforma política para construir uma nação sólida. Essa reforma ficou conhecida como Reforma de Taika, pois nesse ano foi instituído o sistema de nengô, nome dado a certo período de anos e adotado até hoje. O primeiro nengô foi da era Taika (645–650).A Reforma de Taika transformou os terrenos de propriedade particular da família imperial e dos clãs em propriedade pública. O povo (agricultores) também passou ao controle do poder central (imperador). Instituiu-se, assim, um novo sistema de controle nacional, bem como de cobrança de impostos, feito pelo registro de família (koseki).Com a morte do imperador Tenji, iniciaram-se as guerras pelo poder, vencidas pelo imperador Tenmu, que continuou com a reforma política e o fortalecimento do poder imperial. Sua sucessora, a imperatriz Jitô, instalou-se na região de Asuka (planície de Nara) e concluiu a reforma em 701 (primeiro ano da Era Taihô), que chamou de Taihô Ritsuryô, originando o sistema político norteado por ritsu (judiciário) e ryô (legislativo), que perdurou por muito tempo.O sistema político ritsuryô determinou o poder ao imperador, instituiu oito ministérios, cujos ministros foram escolhidos dos grandes clãs que despontaram desde a época da Reforma de Taika. A eles, foram atribuídos direitos, inclusive o título de nobreza, que passou a ser hereditário, criando, assim, classes sociais distintas. O Japão foi dividido em 60 koku (circunscrições), e cada koku foi subdividido em gun (comarcas); os gun, em pequenos ri (vilas). Cada koku era governado por um kokushi enviado pela capital, que, por sua vez, indicava os clãs para a administração do gun (gunji) e do ri (richô).O ritsu estabelecia cinco penalidades de acordo com a gravidade do crime, sendo a mais leve a pena de açoite, e a mais pesada a pena de morte. Os crimes leves eram julgados pelos chefes da comarca (gunshi); e os graves, pelos ministros, ou mesmo pelo imperador. No norte da ilha de Kyushu, foi instalado, excepcionalmente, o dazaifu, para a defesa nacional, assim como para governar toda a ilha.A cada seis anos, a corte renovava o koseki (registro de família), atribuindo a todo indivíduo a partir de 6 anos de idade a sua parcela de arrozal (kubunden), que era devolvida à corte por ocasião de sua morte para sua redistribuição. Os agricultores, além de pagar imposto por seu kubunden, eram recrutados para prestar serviços em obras diversas e obrigados a prestar serviço militar. Em 710, foi construída uma nova capital em Nara, a oeste da atual cidade de mesmo nome, iniciando-se a Era NaraVista aérea do templo Hôryû-ji: a construção de madeira mais antiga do mundoPríncipe Shôtoku, estadista revolucionário responsável pela criação de um novo sistema político e pela construção de vários templos budistas, como o Hôryû-ji

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Príncipe Shôtoku

Panorama da época
O budismo foi introduzido ao Japão por volta de 538 (ou 552, segundo algumas teorias) pelos migrantes (torai-jin), quando no país já existia o shintoísmo, fé nativa. Desde o século V, os intelectuais liam o Analecto de Confúcio (uma coleção de escritos e ditos célebres de Confúcio) trazido por Wani, um torai-jin coreano de Kudara, recebendo, inclusive, estudiosos que chegaram à terra japonesa para ensinar a doutrina confuciana.Na corte de Yamato, houve um conflito entre os partidários que defendiam o budismo (clã Soga) e os que o repudiavam (clã Mononobe). Em 587, o clã Soga derrota o clã Mononobe, e uma mulher é indicada para ocupar o supremo cargo, a imperatriz Suiko. Assim como nos tempos de Himiko, ela obteve muitos êxitos na construção de uma nação melhor estruturada, respaldada por seu sobrinho, o príncipe Shôtoku, nomeado seu regente. Juntos, ao longo de 36 anos, eles modernizaram o sistema político, econômico e diplomático e ainda colaboraram para a difusão do budismo.

Perfil do príncipe Shôtoku
O ídolo da História Antiga do Japão nasceu em 574, tendo como pai o imperador Yômei e como mãe Anahobe. O seu verdadeiro nome, Umayado (literalmente, porta do estábulo), deve-se, segundo a lenda, ao fato de Anahobe ter começado a sentir as contrações do parto na frente do estábulo real. Após a idade adulta, Umayado recebeu o cognome de Toyotomimi (ouvidos sábios), por sua inteligência aguçada e sabedoria ímpar. Uma lenda diz que ele conseguia ouvir reinvidicações de dez pessoas ao mesmo tempo e encontrar soluções satisfatórias para todas.Desde a tenra idade, ele dedicava-se aos estudos, demonstrando rara inteligência. Era totalmente devotado ao budismo e, juntamente com sua tia, a imperatriz Suiko, realizou inúmeras reformas políticas. “Shôtoku”, cujo sentido literal é “virtude sagrada”, foi o cognome que se irradiou após o seu falecimento, em 622, devido aos seus feitos. Na velhice, afastou-se da política e dedicou-se à difusão do budismo, escrevendo obras sobre as interpretações de sutra, entre elas, San-gyôgisho.
Kan’i jûnikai (doze graus de hierarquia burocrática)Este foi o primeiro sistema hierárquico do Japão, criado em 603 pelo príncipe Shôtoku que, por sua vez, recebeu forte influência da China. Chamou-se kan’i (hierarquia por chapéu), porque a distinção das hierarquias era feita pelo uso de chapéu de diferentes cores, e jûnikai (doze classes), por causa da divisão em 12 classes hierárquicas. Estas eram concedidas para pessoas de real valor e não eram hereditárias. No início, destinavam-se aos súditos diretos da corte, ou ainda aos chefes de clãs da região de Nara e suas imediações, onde se instalou a corte imperial. Porém, com o passar do tempo, essas classes hierárquicas foram estendidas aos chefes de clãs de todo o Japão.Criação do Kenpô Jûshichi-jô (17 códigos da Constituição) Não se pode dizer que esta seja uma “constituição” em seu real sentido, ou nos moldes atuais, e sim preceitos morais que serviam de diretriz para a conduta dos “funcionários públicos”. No Kenpô Jûshichi-jô, nota-se nitidamente a forte influência dos pensamentos budista e confucionista. A ênfase à conduta conciliatória é bastante peculiar dentro do sistema de imperialismo absoluto.

Difusão do budismo
Por incentivo do príncipe Shôtoku, vários templos foram construídos no Japão. As construções proporcionavam a difusão em larga escala de técnicas de confecção de papel, pintura e outras formas de arte. O Templo Hôryû-ji (província de Nara), considerado o mais antigo templo de madeira do mundo, foi construído em 607. No início, era uma espécie de templo-escola para estudar o budismo. O templo Shitennô-ji (província de Osaka) foi alvo de admiração das delegações chinesas e coreanas que contemplaram, de seus navios, a sua magnífica construção. Nesse período, foram introduzidos no arquipélago muitos livros sobre budismo, astronomia, etc., iniciando-se a compilação da História do Japão tal como Tennô-shi (História dos Imperadores).

Relações diplomáticas
Em 607, o príncipe enviou o alto funcionário da corte, Ono-no-komachi para Sui como portador do documento credencial, abrindo, dessa forma, o caminho para relações diplomáticas em pé de igualdade com a China. Foram enviados os promissores funcionários jovens e monges eruditos para absorverem a cultura avançada da dinastia Sui (China). Esses preciosos recursos humanos levaram à Reforma de Taika.

Kenpô Jûshichi-jô
• Código 1 – Deve-se respeitar a harmonia e a hierarquia. A política deve ser conduzida com cooperação.
• Código 2 – Deve-se cultuar os três tesouros, que são: Buda = o sábio; as leis = os ensinamentos do Buda; sacerdote = o grupo que aceita com alegria os ensinamentos e os pratica.
• Código 3 – Deve-se obediência ao seu senhor. O senhor é o Céu, e o súdito é a Terra.
• Código 4 – Os funcionários da corte devem ser cordiais com o povo.
• Código 5 – Ao julgar a queixa (denúncia) do povo, deve se proceder com imparcialidade.
• Código 6 – Fomentar o bem e aplicar o corretivo nos maus atos servirá de exemplo ao povo. Elogiar o superior e falar mal dos erros de seus súditos não é ser fiel ao seu senhor.
• Código 7 – Cada um tem a sua missão a cumprir, e tudo sairá bem se o cargo público for ocupado por alguém competente.
• Código 8 – Os funcionários da Corte deverão chegar cedo e voltar tarde. Se chegarem tarde, não conseguirão atender aos imprevistos e, se voltarem cedo, não conseguirão terminar o serviço do dia a contento.
• Código 9 – Se os funcionários forem íntegros, qualquer empreendimento terá êxito. A integridade é a base da justiça.
• Código 10 – Deve-se conter a ira e deixar de lado o ódio, não se aborrecendo por causa da discórdia.
• Código 11 – Observe atentamente o bem e o mal. Sempre se deve premiar o bem e castigar o mal.
• Código 12 – Os chefes de comarcas não poderão receber presentes, nem recrutar mão-de-obra por conta própria. Para o povo, não deve haver dois senhores.
• Código 13 – Todos deverão estar a par dos trabalhos realizados pelos colegas, pois não se deve deixar parado um trabalho, caso alguém tenha que faltar por estar doente.
• Código 14 – Os funcionários da corte não deverão ter ciúme, pois ele cega-os perante a competência alheia.
• Código 15 – Deve-se procurar os benefícios públicos, abandonando os sentimentos pessoais.
• Código 16 – Deve-se recrutar o povo levando em consideração a época. Utilizem o trabalho do povo no inverno, quando há mais tempo livre. Da primavera a outono, é a época de trabalho no campo ou da sericultura.
• Código 17 – Os problemas graves devem ser discutidos exaustivamente entre os funcionários, para a busca de uma solução.

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Era Kofun

Tumbas: símbolos de poder
A Era Kofun ganhou esse nome em virtude das grandes tumbas antigas do final da Era Yayoi. Elas estão em Quioto, Nara, Osaka, Okayama, Shimane, Fukuoka, etc. Como mencionado no capítulo anterior, sabe-se que a rainha Himiko governou a nação Yamatai mantendo intenso intercâmbio com a China. A Era Kofun inicia-se depois desse episódio.A cultura transmitida pelos migrantes (torai-jin)A chave para a construção das gigantescas tumbas reside nos migrantes (torai-jin) que chegaram ao arquipélago japonês pela península coreana. Acolhidos quando a península coreana estava em guerra, os migrantes, que receberam cargos de elite na corte de Yamato, transmitiram a tecnologia da construção de tumbas e também de grandes templos, além de técnicas de forjadura, de sericultura, de tecelagem, de cerâmica e outras.Esse movimento migratório data desde a época da mudança da Era Jomon para Yayoi, quando muitos migrantes chegaram ao Japão. Atualmente, a teoria predominante da origem do povo japonês é de que ele surgiu da miscigenação do homem Jomon com os migrantes.
A corte de YamatoPoderosos clãs construíam tumbas já por volta do século V, principalmente os clãs da região de Yamato. O governo era liderado pelo imperador e dividia as funções administrativas, instituindo o sistema de uji (grupo de pessoas da mesma linhagem) e de kabane (hierarquia dos clãs regionais que serviam à corte). Os clãs regionais forneciam produtos da terra à corte. Os grupos de uji cultuavam os seus deuses, tinham suas propriedades, controlavam o seu povo e serviam à corte. Na hierarquia, existia o equivalente à pária (camada mais baixa do sistema de castas da Índia). Eram os nuhi, da corte e dos templos, homens e mulheres escravos vendidos livremente. No final do século IV, a corte de Yamato expandiu seu território até a região de Kara (sul da península coreana), alcançando poder militar suficiente para guerrear contra nações coreanas como Kokuri e Shiragi, aliando-se a Kudara.
Diversos formatos das tumbas antigas
Objeto de terracota encontrado no interior das tumbas
Casa reproduzida em terracota
Homem comanda trabalhadores na construção dos grandes túmulos

Tumba DaisenA tumba Daisen, do imperador Nintoku, em Osaka, é a maior do mundo, com 475 metros. Supondo que 6.800 mil pessoas tenham trabalhado na construção do túmulo, mobilizando 2 mil pessoas por dia, a obra levaria quinze anos para ser concluída. O montante gasto é calculado em 79.600 bilhões de ienes. Mesmo com a atual tecnologia, seriam necessárias 29 mil pessoas, dois anos e seis meses, com o custo total de 2 bilhões de ienes.
Torai-jinO imperador Akihito, durante pronunciamento de abertura da Copa do Mundo de Futebol Japão–Coréia, em 2002, disse que a mãe do imperador Kanmu (737-806) era torai-jin (migrante).

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