May 02 2006
Hamaguri Hime Antigamente, em uma pequena aldeia …
Hamaguri Hime
Antigamente, em uma pequena aldeia litorânea do Japão, havia um jovem pescador chamado Shijira. Ele vivia numa modesta casa com sua mãe, uma senhora de idade avançada e de pouca saúde.-Mãe, estou saindo para pescar.-Tome cuidado, filho.Devido a uma longa estiagem que se abateu sobre o Japão, aquele foi um péssimo ano para a plantação de arroz e verduras. Isso provocou a alta no preço dos cereais. Shijira, que era pobre, ficou sem condições de comprar arroz e outros mantimentos. Ele e sua mãe passaram a sobreviver se alimentando apenas com o que conseguiam pescar diariamente no mar.Shijira era um bom filho. P
or isso, quando conseguia pescar pouco, preparava para a mãe e, ele mesmo, ficava muitas vezes sem comer. Fazia massagens nos ombros dela e costumava dizer com carinho:-Mãe viva bastante, o pai já se foi e só me resta você. Não vá me deixar sozinho na vida.Certo dia Shijira saiu para pescar em seu barco. Passou o dia inteiro tentando mas não conseguiu pegar nada. Já estava ficando desanimado quando sentiu que algo estava beliscando a isca. Deu um puxão na vara e viu que havia apanhado uma linda concha.-Ora, uma concha apenas de nada adianta. Dizendo isso atirou a concha de volta ao mar. Pouco depois sentiu novamente que algo estava beliscando a isca. Deu novo puxão e mais uma vez havia pescado uma concha.-Engraçado parece a mesma concha…Assim pensando, jogou-a novamente ao mar. E pela terceira vez percebeu que algo continuava beliscando a isca. Novamente puxou a linha e viu que tinha na sua ponta a mesma concha. -Algo estranho está acontecendo. É a mesma concha! Não é possível a mesma concha ser fisgada três vezes seguidas.Shijira colocou a concha no barco e começou a observá-la. A concha começou a crescer, a crescer, a crescer, ficou enorme, ocupando quase todo o barco e adquiriu um brilho de inexplicável beleza. -Meu Deus o que está acontecendo ?! Que negócio é este?De repente, a concha se abriu e dentro dela havia uma moça lindíssima, sentada e com trajes em seda pura. Assustado, Shijira chegou a fazer reverências, pensando que era uma deusa do mar.-Oh! É a princesa Otohime, do castelo do Rei Dragão! Quanta honra recebê-la em meu barco. Perdoe-me por meu barco estar tão sujo…Então, a linda visitante respondeu:-Não sou Otohime. Sou alguém que não tem para onde ir. Estou perdida. Por favor, deixe-me ficar em sua casa.-Mas… minha casa é pobre e velha. Não é digna para receber uma pessoa da nobreza como você.Shijira ficou com vergonha de receber em sua casa uma moça tão fina, mas ela insistiu tanto que ele acabou cedendo. Remando com grande emoção conduziu o barco até a praia.-Espere um pouco, disse Shijira, e correu em direção à sua casa. Lá chegando, contou à sua mãe tudo o que havia acontecido.-Uma bela princesa não se deixa esperando, meu filho. Vá buscá-la correndo. Dizendo isso, a velhinha logo começou a limpar, apressadamente, a casa.Como ela estava descalça, Shijira carregou-a nos braços até a casa. A mãe do rapaz recebeu a bela donzela feliz da vida dizendo:-Princesa, você pode ficar o tempo que quiser em nossa casa. E quem sabe tornar-se a esposa de meu filho.A fama de que a bela princesa que saiu de dentro de uma concha ia se tornar a esposa do pescador Shijira correu de boca em boca por todos os lugares. De várias regiões vieram pessoas visitar Shijira só para ver a tal princesa. Todos traziam, infalivelmente de presente, duas coisas consideradas de grande utilidade na época: rolo com linha de seda e uma tigela de arroz.A casa do pescador ficou abarrotada de arroz. Mãe e filho ficaram muito felizes, pois depois de muito tempo, puderam encher a barriga com o arroz que tanto gostavam.-Ah! Como é gostoso o arroz branco! Isso foi possível graças à princesa Hanaguri que veio a nossa casa, para ser sua esposa, filho… dizia a velhinha que não cansava de tentar arranjar uma esposa para Shijira.
A bela peça
Certo dia, a Princesa Hamaguri pediu ao moço que construísse um enorme tear, pois desejava tecer
os fios que havia ganhado. Em pouco tempo o tear ficou pronto. -Será que você vai conseguir tocar um tear tão grande sozinha? Perguntou Shijira.-Não se preocupe que tudo vai dar certo. Respondeu a Princesa Hamaguri, e começou a trabalhar no tear. Nesse exato instante uma jovem chegou pedindo licença para entrar e começou a ajudar a princesa.Hamaguri tecia dia e noite num ritmo tão cadenciado que o som parecia a de uma música.Doze dias depois, uma bela peça estava pronta. E a princesa mostrou para Shijira e sua mãe.-Que belo trabalho, comentou a mãe.-Uma peça maravilhosa, disse o pescador.-Shijira, leve essa peça até a cidade e venda por 3 mil gan, disse a princesa.- Três mil gan é dinheiro que dá para construir uma bela mansão. Não é caro demais?-Não se preocupe. Esta ppeça vale 3000 gan.Shijira levou o tapete à cidade e, numa rua onde havia muito comércio, estendeu o tapete. Muitas pessoas perguntaram quanto custava. Shijira respondia 3000 gan e todos riam do preço.-3000 gan é uma soma fabulosa, rapaz.-Não existe quem pague tanto dinheiro por uma peça, por mais bonita que seja.Ao entardecer Shijira ainda não havia conseguido vender a peça. Então resolveu enrolar o tapete e ir embora para casa. Nesse momento passou por lá um ilustre senhor idoso e seus acompanhantes.-Rapaz, mostre-me esse tapete.Shijira desenrolou de volta a peça e mostrou para o senhor que estava a cavalo. O homem ficou maravilhado com a peça:-Que bela peça, uma legítima obra de arte. Vamos até a minha casa que eu compro esse tapete.Caminhando em direção ao sul da cidade, chegaram na mansão do velho. Era uma residência enorme cheia de moças bonitas. A dona da casa serviu saquê para o pescador.
A despedidaO velho mostrou 3000gan em moedas para Shijira num baú lindamente decorado. Pediu para os criados que tratassem de entregar na casa do pescador. Em seguida, montou numa nuvem que subiu para o céu. Shijira ficou muito assustado com o que vira. Não sabia o que estava realmente acontecendo, sentiu uma tontura e, quando deu por si novamente, estava em frente da sua casa.Assustado, entrou correndo para dentro da casa, pensando que tivera uma alucinação. Mas ficou surpreso ao se deparar com o baú de moedas que já havia sido entregue.A mãe e a princesa o receberam cordialmente:-Você esteve na casa de um nobre ancião e lhe foi servido saquê?Hamaguri sabia de tudo: - A casa do velho é do pai da deusa Kannon. O saquê que você bebeu é o elixir da longevidade. A deusa Kannon recompensou você por ser um bom filho, por tratar bem de sua mãe. Sou a emissária d
e Kannon. Com 3000 gan , nunca mais faltará dinheiro para vocês. Continue cuidando bem de sua mãe e tenha uma longa vida.Hamaguri Hime começou a flutuar e foi embora para o céu. Shijira e sua mãe tentaram deter, mas não conseguiram. Uma música agradável foi ouvida ao mesmo tempo que um perfume suave tomou conta do ar.A princesa Hamaguri desapareceu no infinito azul.
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